segunda-feira, 30 de agosto de 2010

HOLOCAUSTO NUNCA MAIS MESMO

A palavra Holocausto (em grego antigo: ὁλόκαυστον, ὁλον [todo] + καυστον [queimado]) tem origens remotas em sacrifícios e rituais religiosos da Antiguidade, em que plantas e animais (e até mesmo seres humanos) eram oferecidos às divindades, sendo completamente queimados durante o ritual. A partir desse uso, holocausto quer dizer cremação dos corpos (não necessariamente animais). Esse tipo de imolação corpórea post mortem também foi usado por tribos judaicas, como se evidencia no Livro do Êxodo: Então, Jetro, sogro de Moisés, trouxe holocausto e sacrifícios para Deus; (…). Também é encontrada referência na bíblia católica, onde a palavra holocausto é citada no Livro do Êxodo, capítulo 40, versículo 6: E porás o altar do holocausto diante da porta do tabernáculo da tenda da revelação. Essa mesma passagem é descrita da seguinte forma na Bíblia do Rei Jaime (The Holy Bible - King James Version) na mesma passagem (Livro do Êxodo, capítulo 40, versículo 6): Então deverás colocar o altar de queima das oferendas perante a porta da tenda da congregação. Essa versão é traduzida do original em inglês, And thou shalt set the altar of the burnt offering before the door of the tabernacle of the tent of the congregation.
A partir do século XIX a palavra holocausto passou a designar grandes catástrofes e massacres, até que após a Segunda Guerra Mundial o termo Holocausto (com inicial maiúscula) foi utilizado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de pessoas que faziam parte de grupos politicamente indesejados pelo então regime nazista fundado por Adolf Hitler. Havia judeus, militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de activistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos, alguns membros mórmons e sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum.
Mais tarde, no correr do julgamento dos responsáveis por esse extermínio, o termo foi sendo aos poucos adotado somente para se referir ao massacre dos judeus durante o regime nazista.
Todos esses grupos pereceram lado a lado nos campos de concentração e de extermínio, de acordo com textos, fotografias e testemunhos de sobreviventes, além de uma extensa documentação deixada pelos próprios nazistas com o saldo de registros estatísticos de vários países sob ocupação. Hoje, já se sabe aproximadamente o número de mortes. Morreram 17 milhões de soviéticos (sendo 9,5 milhões de civis); 6 milhões de judeus; 5,5 milhões de alemães (3 milhões de civis); 4 milhões de poloneses (3 milhões de civis); 2 milhões de chineses; 1,6 milhão de iugoslavos; 1,5 milhão de japoneses; 535 000 franceses (330 000 civis); 450 000 italianos (150 000 civis); 396 000 ingleses e 292 000 soldados norte-americanos.
Atualmente, o termo Holocausto é novamente utilizado para descrever as grandes tragédias, sejam elas ocorridas antes ou depois da Segunda Guerra Mundial. Muitas vezes a palavra holocausto tem sido usada para designar qualquer extermínio de vidas humanas executado de forma deliberada e maciça, como aquela que resultaria de uma guerra nuclear, falando-se por vezes de holocausto nuclear.
Shoá (השואה), também escrito da forma Shoah, Sho'ah e Shoa, que em língua iídiche (um dialeto do alemão falado por judeus ocidentais ou asquenazitas) significa calamidade, é o termo desse idioma para o Holocausto. É usado por muitos judeus e por um número crescente de cristãos, devido ao desconforto com o significado literal da palavra holocausto, de origem grega e conotação relacionada com a prática de expiação de pecados por incineração; os defensores dessa substituição argumentam que é teologicamente ofensivo sugerir que o massacre de judeus da Europa foi um sacrifício a Deus. É no entanto reconhecido que o uso corrente do termo holocausto para referir-se ao extermínio nazista não tem essa intenção.
Similarmente, muitas pessoas ciganas usam a palavra porajmos ("poráimos"), significando devorar, para descrever a tentativa nazi do extermínio do grupo.
Um aspecto restrito a Alemanha nazista que o distingue de outros assassínios colectivos foi a metodologia aplicada a grupos diferenciados. Foram feitas listas detalhadas de vítimas presentes e potenciais, encontrando-se, assim, registros meticulosos dos assassínios.
Quando os prisioneiros entravam nos campos de concentração ou de extermínio, tinham de entregar toda a propriedade pessoal aos Nazis - que era catalogada detalhadamente e etiquetada, sendo emitidos recibos. Adicionalmente ao longo do Holocausto, foram feitos esforços consideráveis para encontrar meios cada vez mais eficientes de matar mais pessoas. Por exemplo, ao trocarem o envenenamento por monóxido de carbono, usado nos campos de extermínio de Belzec, Sobibor, e Treblinka para o uso de Zyklon-B em Majdanek e Auschwitz-Birkenau, na chamada Aktion Reinhard.


Fileiras de corpos enchem o campo de concentração de Nordhausende, Alemanha, 4 de Dezembro de 1945
Ao contrário de outros genocídios que ocorreram numa área ou país específicos, o Holocausto foi levado a cabo metodicamente em virtualmente cada centímetro do território ocupado pelos nazistas, tendo os judeus e outras vítimas sido perseguidos e assassinados num espaço em que hoje existem 35 nações europeias e sido enviados para campos de concentração em algumas nações e campos de extermínio noutras nações.
Além das matanças maciças, os nazistas levaram a cabo experiências médicas em prisioneiros, incluindo crianças. O Dr. Josef Mengele, um nazi dos mais amplamente conhecidos, era chamado de Anjo da Morte pelos prisioneiros de Auschwitz pelos seus experimentos cruéis e bizarros.
Os acontecimentos nas áreas controladas pelos alemães só se tornaram conhecidos em toda a sua extensão depois do fim da guerra. No entanto, numerosos rumores, relatos e testemunhos de fugitivos e outros, ainda durante a guerra, deram alguma indicação de que os judeus estavam a ser mortos em grande número. Houve protestos, como em 29 de Outubro de 1942 no Reino Unido, que induziram figuras políticas e da Igreja a fazerem declarações públicas manifestando o horror sentido pela perseguição de judeus na Alemanha.
[editar]Fases do Holocausto

Raul Hilberg, um conhecido historiador do Holocausto, identificou quatro fases do Holocausto distintas:
Identificação / Definição
Discriminação económica e separação
Concentração
Extermínio
[editar]Campos de concentração e de extermínio

Ver artigos principais: Campo de concentração e Campo de extermínio.


Auschwitz I
Campos de concentração espalharam-se por toda a Europa, com novos campos sendo criados perto de centros de densa população, focando especialmente os judeus, a elite intelectual polaca, comunistas, ou ciganos. A maior parte dos campos situava-se na área de Governo Geral.
Campos de concentração para judeus também existiram na própria Alemanha e, apesar de os campos de concentração alemães não terem sido desenhados para o extermínio sistemático — os campos para esse fim situavam-se todos no Leste europeu, a maioria na Polónia —, muitos prisioneiros morreram por causa das más condições ou por execução.
Alguns campos, tais como o de Auschwitz-Birkenau, combinavam trabalho escravo com o extermínio sistemático.


Linha ferroviária que conduzia a Auschwitz II (Birkenau).
À chegada a estes campos, os prisioneiros eram divididos em dois grupos: aqueles que eram demasiado fracos para trabalhar eram imediatamente assassinados em câmaras de gás (que por vezes eram disfarçadas com chuveiros) e seus corpos eram queimados, enquanto que os outros eram primeiro usados como escravos em fábricas e empresas industriais localizadas nas proximidades do campo.
Os alemães também organizavam grupos de trabalho auto-sustentável entre os prisioneiros para trabalhar na reciclagem dos cadáveres e na colheita de certos elementos. Para alguns historiadores, os dentes de ouro eram extraídos dos cadáveres e cabelos de mulher (raspado das cabeças das vítimas) antes de entrarem nas câmaras incineradoras. Acreditam eles que esses produtos eram reciclados da seguinte forma: o ouro, fundido e usado na confecção de jóias; os cabelos, tecidos em tapetes e meias, usados para enchimento de casacos.


Depósito de embalagens vazias do gás venenoso usado para matar os detentos e pilhas de cabelos raspados de suas cabeças são guardadas no museu de Auschwitz II.
Cinco campos — Belzec, Chelmno, Maly Trostenets, Sobibor, e Treblinka II — foram usados exclusivamente para o extermínio.
Nestes campos, cerca de 800 a 1000 prisioneiros eram mantidos vivos para assegurar a tarefa de desfazer-se dos cadáveres de pessoas assassinadas nas câmaras de gás. Em Sobibor e Treblinka houve rebeliões com fuga de prisioneiros. Nos campos de Balzec, Sobibor e Treblinka o tempo para processar um trem com 4600 judeus, de sua chegada até o final da morte por gás do último judeu era de duas horas. Os corpos inicialmente foram jogados em valas abertas e depois, sem poder solucionar o problema da quantidade, passaram a ser incinerados com combustível. Em Treblinka foram mortos 850 000 judeus desta forma.


Ruínas da câmera de gás Crematório II em Auschwitz II (Birkenau). O estudioso do Holocausto Robert Jan van Pelt disse que em nenhum outro cômodo da Terra morreram tantas pessoas: 500.000 vítimas.[1]
O transporte era frequentemente realizado em condições horríficas, usando vagões ferroviários de carga, abarrotados e sem quaisquer condições sanitárias. Normalmente os vagões na Europa podiam transportar 6 cavalos ou vacas e neles eram amontoados de 60 a 100 judeus dependendo da ocasião. Cada judeu tinha sua passagem paga pela SS a companhia ferroviária alemã. Em alguns casos os judeus enganados com a promessa de realocação para trabalho pagavam sua própria passagem para a morte. Mais de 350 000 judeus húngaros pagaram passagens em vagões de passageiros de segunda classe para serem levados a Auschwitz. A organização logística envolvida no transporte ferroviário de milhões de pessoas com registros cuidadosamente catalogados e arquivados foi uma tarefa de um considerável grupo de pessoas pertencentes a SS e as companhias ferroviárias dos países de deportação ou passagem. As listas de passageiros da SS foram destruídas, mas as das companhias civis foram preservadas e hoje se encontram nos arquivos do Yad Vashem sendo a origem da identificação de alguns milhões de vítimas.
[editar]Vítimas

[editar]Judeus


Prisioneiros famintos no campo Mauthausen, em Ebensee, Áustria, libertados pela forças estadunidenses em 5 de maio de 1945.
O anti-semitismo era comum na Europa da década de 1920 e década de 1930 (apesar de se estender ao longo de séculos). O anti-semitismo fanático de Adolf Hitler ficou bem patente no seu livro publicado em 1925, Mein Kampf, largamente ignorado quando foi publicado, mas que se tornou popular na Alemanha uma vez que Hitler ascendeu ao poder.
Em 1 de Abril de 1933, os nazis, recém-eleitos, organizaram, sob a direcção de Julius Streicher, um dia de boicote a todas as lojas e negócios pertencentes a judeus na Alemanha.
Essa política ajudou a criar um ambiente de repetidos atos anti-semitas que iriam culminar no Holocausto. As últimas empresas pertencentes a judeus foram fechadas a 6 de Julho de 1939.
Em muitas cidades da Europa, os judeus tinham vivido concentrados em zonas determinadas. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os nazis formalizaram as fronteiras dessas áreas e restringiram os movimentos criando novos guetos, aos quais os judeus ficavam confinados.


Campo de concentração de Buchenwald. Dia da libertação em 16 de Abril de 1945. No segundo andar do beliche, o sétimo a contar da esquerda é Elie Wiesel, o Prêmio Nobel da Paz de 1986.
Os guetos eram, com efeito, prisões nas quais muitos judeus morreram de fome e de doenças; outros foram executados pelos nazis e seus colaboradores. Os Campos de concentração para judeus existiram na própria Alemanha. Durante a invasão da União Soviética, mais de três mil unidades especiais de morte (Einsatzgruppen) seguiram a Wehrmacht e conduziram matanças maciças de oficiais comunistas e de população judaica que vivia no território soviético. Comunidades inteiras foram dizimadas, sendo rodeadas, roubadas de suas possessões e roupa, e alvejadas de morte nas bermas de valas comuns.
Em Dezembro de 1941, Hitler tinha finalmente decidido exterminar os judeus da Europa. Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, vários líderes Nazis discutiram os detalhes da Solução final da questão judaica (Endlösung der Judenfrage).
O Dr. Josef Buhler pressionou Reinhard Heydrich a dar início à Solução Final no Governo Geral. Eles começaram a deportar sistematicamente populações de judeus desde os guetos e de todos os territórios ocupados para os sete campos designados como Vernichtungslager, ou campo de extermínio: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Maly Trostenets, Sobibor e Treblinka II.
[editar]Eslavos


Estado deplorável de sobreviventes eslavos do campo de concentração Buchenwald.
Os polacos foram um dos primeiros alvos do extermínio de Hitler, como ficou sublinhado no seu discurso sobre a quota arménia, que fez a comandantes da Wehrmacht antes da invasão da Polónia em 1939.
A elite intelectual e socialmente proeminente ou pessoas poderosas foram os primeiros alvos, apesar de também ter havido assassínios em massa e instâncias de genocídio (donde se destaca Ustaše, na Croácia).


Civis polôneses após execução, em Varsóvia.
Durante a Operação Barbarossa, a invasão alemã da União Soviética, centenas de milhares (senão mesmo milhões) de prisioneiros de guerra pertencentes ao exército russo foram arbitrariamente executados nos campos pelos exércitos invasores alemães (em particular pelas famosas Waffen SS), ou foram enviados para campos de extermínio simplesmente porque eram de extração eslava. Milhares de vilas de lavradores russos foram aniquiladas pelas tropas alemãs mais ou menos pela mesma razão.
No entanto, sabe-se que inúmeros ucranianos combateram tenazmente a favor dos nazis quando da invasão à URSS, considerando o duro martírio por eles sofrido, viam os nazistas como libertadores.
[editar]Ciganos
Ver artigo principal: Porajmos
A campanha de genocídio de Hitler contra os povos ciganos da Europa era vista por muitos como uma aplicação particularmente bizarra da ciência racial nazi.
Antropólogos alemães foram forçados a enfrentar o facto de os ciganos serem descendentes dos invasores arianos, que regressaram à Europa. Ironicamente, isto torna-os não menos arianos que os próprios alemães, pelo menos na prática, senão em teoria. Este dilema foi solucionado pelo professor Hans Gunther, um conhecido cientista racial, que escreveu:
«Os ciganos retiveram na verdade alguns elementos da sua origem nórdica, mas eles descendem das classes mais baixas da população dessa região. No decurso da sua migração, eles absorveram o sangue dos povos circundantes, tornando-se assim uma mistura racial oriental, asiática-ocidental com uma adição de ascendência indiana, centro-asiática e europeia.»
Como resultado, apesar de medidas discriminatórias, alguns grupos de ciganos de etnia Roma, incluindo as tribos alemãs dos Sinti e Lalleri, foram dispensados da deportação e morte. Os ciganos restantes sofreram muito como os judeus (em alguns momentos foram ainda mais degradados). No Leste europeu, os ciganos foram deportados para os guetos judeus, abatidos pela SS Einsatzgruppen nas suas vilas, e deportados e gaseados em Auschwitz e Treblinka.
[editar]Homossexuais
Ver artigo principal: Homossexuais na Alemanha Nazi


Ernst Röhm, oficial nazista que era homossexual assumido.[2]
Homossexuais foram um outro grupo alvo durante o tempo do Holocausto. Ao que parece, não houve por parte do partido nazi uma tentativa sistemática de exterminar todos os homossexuais, mas sim de promover uma espécie de recuperação social e moral por meio da penalização a trabalhos forçados e extenuantes; assim, o regime nazista recrudesceu o parágrafo 175 que criminalizava a homossexualidade, endurecendo suas penas.
No início da ascensão nazista, alguns membros proeminentes da liderança do partido Nazi (como Edmund Heines, Ernst Röhm, entre outros) eram conhecidos por serem homossexuais, o que poderia explicar o facto de a liderança nazi ter, de início, mostrado sinais contraditórios sobre a forma de lidar com o tema. Alguns líderes queriam claramente o extermínio dos homossexuais; outros, como o próprio Rönm, advogavam liberdade aos homossexuais, enquanto que a maior parte defendia a aplicação de leis rígidas que proibissem atos homossexuais. Porém, não tardou para que o regime nazi promovesse uma tentativa de extirpação da homossexualidade em seus quadros e também da sociedade alemã. Heinrich Himmler - que tinha inicialmente apoiado Röhm com o argumento que as acusações de homossexualidade contra ele eram maquinações judias - tornou-se posteriormente muito ativo na repressão aos homossexuais e declarou: "Temos que exterminar esta gente pela raiz… os homossexuais têm que ser eliminados"[Plant, 1986, p. 99].
Na noite de 29 de Junho de 1934, Hitler promoveu a Noite das Facas Longas, participando pessoalmente na prisão de Ernst Röhm, o líder da SA ("camisas pardas") que posteriormente seria assassinado conjuntamente com dezenas de outros oficiais. A homossexualidade de Röhm e dos seus oficiais foi utilizada por Hitler para aplacar a fúria que se apoderou das fileiras da SA.
Pouco depois da purga de 1934, uma divisão especial da Gestapo foi instruída para compilar uma lista de homens gay (as "Listas Rosa"). Em 1936, Heinrich Himmler, chefe da SS, criou o "Gabinete Central do Reich para o Combate à Homossexualidade e ao Aborto. A esta purga seguir-se-ia o endurecimento da perseguição contra a homossexualidade e a prisão de homossexuais por toda a Alemanha e até mesmo fora dela. Muitos milhares de prisioneiros acabaram em campos de concentração; outros, como John Henry Mackay, suicidaram-se. Muitos artistas emigraram, como o caso da escritora e dramaturga Erika Mann.
Segundo o United States Holocaust Memorial Museum, mais de um milhão de homossexuais alemães foram identificados, dos quais cerca de 100 000 foram acusados e 50 000 condenados a penas de prisão por homossexualidade. A maior parte destes homens foi aprisionado e entre 5000 a 15 000 enviados para campos de concentração. Soma-se a isso o fato de centenas de homens homossexuais que viveram sob ocupação nazi terem sido castrados por ordem dos tribunais.


O Homomonument em Amsterdã, Países Baixos, feito em homenagem aos homossexuais mortos pela Alemanha nazista.
Inicialmente os homossexuais não tiveram o mesmo tratamento que os Judeus; a Alemanha Nazi incluía os homossexuais alemães como parte da raça ariana pura e tentou forçá-los à conformidade sexual e social. Os homens homossexuais que não conseguissem ou não quisessem fingir uma mudança de orientação sexual eram enviados para campos de concentração ao abrigo da campanha de Arbeit macht Frei ("Libertação pelo Trabalho)." Segundo pesquisas (como a feita pelo investigador Ruediger Lautmane) e relatos de sobreviventes, nota-se que a taxa de mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração era superior à media geral, podendo ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses "campos da morte" para além de serem tratados de forma extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos e até mesmo violentados pelos outros prisioneiros, diferenciando-se dos judeus que contavam com a solidariedade de seu próprio grupo. Por essa razão os homossexuais nos campos de concentração eram entendidos, como alguns estudiosos afirmam, como "os sacrificáveis".
O sobrevivente Pierre Seel, preso no campo de concentração por ser homossexual, relatou em sua biografia que "não havia solidariedade para com os prisioneiros homossexuais; pertenciam à casta mais baixa. Outros prisioneiros, mesmo entre eles, costumavam agredi-los." Relata também cenas frequentes de tortura (como espancamento e ataque de cães) seguidas de brutais assassinatos. Dentre estas práticas estava a violação ou empalamento de prisioneiros homossexuais com réguas de madeira partidas, causando perfuração intestinal, graves hemorragias e eventualmente morte.
Diferentemente de Seel, a maior parte dos homossexuais perseguidos pelo regime nazi nunca se identificou publicamente como homossexuais. De fato, as leis "anti-homossexualidade" mantiveram-se depois da guerra por todo o mundo ocidental até às décadas de 1960 e 1980, de tal forma que muitos nunca se sentiram confortáveis para contar as suas histórias de sofrimento à mão dos Nazis até à década de 1970, quando a generalidade dos países ocidentais iniciou uma supressão das leis relacionadas com a sodomia.
Por fim, estimativas quanto ao número de pessoas mortas pela razão específica de serem homossexuais variam muito. A maioria das estimativas situa-se por volta de dez a quinze mil.
Números mais elevados incluem também aqueles que eram judeus e homossexuais, ou mesmo judeus, homossexuais e comunistas. Para além disso, registros sobre as razões específicas para o internamento são inexistentes em muitas áreas.
[editar]Testemunhas de Jeová
Ver artigo principal: Testemunhas de Jeová e o Holocausto
Dentre dezenas de milhares enviadas aos campos de concentração, cerca de duas mil Testemunhas de Jeová pereceram, para onde foram enviados por razões políticas e ideológicas. Sendo objetores de consciência, elas recusaram o envolvimento na política, não diziam Heil Hitler, e não serviam no exército alemão.
[editar]Doentes mentais e deficientes
A 18 de Agosto de 1941 Adolf Hitler ordenou o fim da eutanásia sistemática dos doentes mentais e deficientes, devido a protestos na Alemanha.
[editar]Número de mortos
O número exacto de pessoas mortas pelo regime nazi continua a ser objecto de pesquisa.
Documentos liberados recentemente do segredo no Reino Unido e na União Soviética indicam que o total pode ser algo superior ao que se acreditava. No entanto, as seguintes estimativas são consideradas muito fiáveis.
6.0 – 7.0 milhões de polacos
dos quais 3.0 – 3.5 milhões de polacos judeus
5.6 – 6.1 milhões de judeus
dos quais 3.0 – 3.5 milhões de judeus polacos
3.5 – 6 milhões de outros civis eslavos
2.5 – 4 milhões de prisioneiros de guerra (POW) soviéticos
1 – 1.5 milhões de dissidentes políticos
200 000 – 800 000 roma e sinti
200 000 – 300 000 deficientes
10 000 – 25 000 homossexuais
2 500 – 5 000 Testemunhas de Jeová[3]
Existe alguma polêmica em relação a estes números, principalmente entre grupos anti-semitas, mas não só. A obra de Norman Filkenstein, A Indústria do Holocausto defende que este número de mortes em campos de concentração (notadamente na Alemanha) e de extermínio (na Polônia) tem servido para obtenção de vantagens econômicas e também políticas.
[editar]Identificação dos prisioneiros
Ver artigo principal: Triângulos Invertidos


A segregação: Identificação imposta pelos administradores alemães aos judeus
Face a enorme migração somada às grandes distancias que separavam os campos de concentração das indústrias bélicas alemãs, para efeito de identificação fora dos campos em vez de números , os administradores tiveram que elaborar uma solução geométrica de identificação que podia ser visualizada rapidamente. Os prisioneiros foram requeridos a usar triângulos coloridos nas suas vestes, cujas cores respondiam por seus endereços em campos que geralmente atendiam a sua nacionalidade e preferência política etc. , essa solução, tinha por objetivo facilitar as equipes de transportes (por caminhão) identifica-los mais rapidamente no retorno diário evidentemente após cumprirem suas missões dos centros industriais aos campos.
Apesar das cores variarem de campo para campo, as cores mais comuns eram:
amarelo: judeus — dois triângulos sobrepostos, para formar a Estrela de Davi, com a palavra Jude (judeu) inscrita; mischlings i.e., aqueles que eram considerados apenas parcialmente judeus, muitas vezes usavam apenas um triângulo amarelo.
vermelho: dissidentes políticos, incluindo comunistas
verde: criminoso comum. Criminosos de ascendência ariana recebiam freqüentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros.
púrpura (roxo): basicamente aplicava-se às Testemunhas de Jeová, que por objeção de consciência negavam-se a participar dos empenhos militares da Alemanha nazista e a renegar sua fé ao assinar uma declaração.
azul: imigrantes.
castanho: ciganos roma e sinti
negro: lésbicas e anti-sociais (alcoólatras e indolentes)
rosa: homossexuais
[editar]Teorias

[editar]Funcionalismo versus Intencionalismo
Nazismo

Origens[Expandir]
Ideologia[Expandir]
Ocultismo[Expandir]
Organizações[Expandir]
História[Expandir]
Relacionados[Expandir]
Principais Nazistas[Expandir]
Um tema frequente nos estudos contemporâneos sobre o Holocausto é a questão de funcionalismo versus intencionalismo. Os intencionalistas acham que o Holocausto foi planejado por Hitler desde o início. Funcionalistas defendem que o Holocausto foi iniciado em 1942 como resultado do falhanço da política nazi de deportação e das iminentes perdas militares na Rússia. Eles dizem que as fantasias de exterminação delineadas por Hitler em Mein Kampf e outra literatura nazi eram mera propaganda e não constituíam planos concretos (curiosamente esta foi também a estratégia da argumentação da defesa dos nazis perante os julgamentos de Nuremberga).
Outra controvérsia relacionada, foi iniciada recentemente pelo historiador Daniel Goldhagen, que argumenta que os alemães em geral sabiam e participaram com convicção no Holocausto, que teria a sua origem num anti-semitismo alemão profundamente enraizado. Goldhagen vê na Igreja cristã uma origem desse anti-semitismo. No seu livro A Igreja Católica e o Holocausto – uma análise sobre culpa e expiação, Goldhagen reflecte sobre passagens do Novo Testamento claramente anti-semitas. Numa conferência que fez em Munique em 2003, Goldhagen colocou a seguinte questão: se em vez de frases como pelos seus pecados os judeus têm de ser punidos, ou os judeus desagradam a Deus e são inimigos de todos os homens Paulo de Tarso tivesse escrito no Novo Testamento semelhantes frases sobre outro grupo qualquer, os negros por exemplo, será que não se poderia dizer que o Novo Testamento é racista?
Outros afirmam que sendo o anti-semitismo inegável na Alemanha, o extermínio foi desconhecido a muitos e teve de ser posto em prática pelo aparelho ditatorial nazi.
Goldhagen explora também o facto de milhões de alemães terem participado nas atrocidades da Guerra, afirmando depois da guerra, se acusados (o que raramente aconteceu), que eles tinham de seguir ordens para evitar represálias.
No entanto, houve alguns casos de alemães que recusaram participar nas matanças maciças e outros crimes e que não foram punidos em forma nenhuma pelos nazis. Alemães casados com judeus que optaram por se manter com o seu companheiro permaneceram não-castigados e suas esposas judias sobreviveram.
[editar]Revisionistas e negadores
Ver artigos principais: Paul Rassinier e Revisionismo do Holocausto.
Algumas pessoas que duvidam do Holocausto são classificadas como Revisionistas do Holocausto. Esses pesquisadores afirmam que muito menos de seis milhões de judeus tiveram seus últimos dias nos campos de concentração e que as mortes não foram o resultado da política deliberada dos alemães. Este grupo, denominados pelos historiadores e pesquisadores de Negadores de holocausto alegam que o Holocausto definitivamente nunca existiu. Esta tese é normalmente acompanhadas de números que entram em choque com os números amplamente aceitos; mas diversos estudos apontam para talvez 1,5 milhão de judeus, ou até cerca de 450 mil (números extremos) de judeus mortos na segunda guerra mundial.
Já o livro publicado no ano 2000 nos Estados Unidos e na Europa, e agora lançado no Brasil, A Indústria do Holocausto continua desencadeando polêmica em todo mundo. Escrita por Norman G. Finkelstein, um professor judeu americano da Universidade de Nova York, filho de judeus egressos do Gueto de Varsóvia e sobreviventes do campo de concentração de Maidanek e Auschwitz, o livro é uma denúncia da exploração política, ideológica e financeira do Holocausto pelas grandes organizações judaicas internacionais.
Para Norman G. Finkelstein, "...as atrocidades nazistas transformaram-se num mito americano que serve aos interesses da elite judaica, sendo que nesse sentido, o holocausto transformou-se em Holocausto (com h maiúsculo), ou seja, numa indústria que exibe como vítimas o grupo étnico mais bem sucedido dos Estados Unidos e apresenta como indefeso um país como Israel, uma das maiores potências militares do mundo, que oprime os não judeus em seu território e em áreas de influência".
O número de sobreviventes nos campos de concentração é exagerado segundo o autor, para chantagear bancos suíços, indústrias alemãs e países do Leste Europeu em busca de indenizações financeiras. A luta feroz por indenizações teria como efeito colateral insuflar o anti-semitismo na Europa. Israelenses e judeus americanos são hoje a grande força de opressão, perseguindo palestinos e negros americanos. Finkelstein não nega e existência do holocausto como fato histórico, denunciando porém o Holocausto, como uma submissão dos fatos a uma interpretação interessada, no caso a política de autoconservação do Estado de Israel apoiada pelos Estados Unidos.
É comum que esta ideia seja associada imediatamente ao racismo, ao nazismo e ao neo-nazismo. Muitos que acreditam na versão histórica afirmam categoricamente que o revisionismo é uma forma de anti-semitismo e equivalente a negação do Holocausto.
Muitos revisionistas afirmam não serem anti-semitas, e que querem meramente contar a história como deve ser. Estas pessoas dizem que estão contentes por menos pessoas terem sido mortas do que previamente julgado e que desejam que outras pessoas interpretem os dados revisionistas como boas notícias. Porém, muitas vezes é possível identificar a divulgação de informações anti-semitas nos mesmos meios ou pelas mesmas pessoas que divulgam essas ideias. Esta teoria possui poucos defensores e é evitada pelos historiadores dessa área porque o simples fato de não se acreditar na história do Holocausto judeu constitui crime grave em alguns países, sujeitando-se o pesquisador as penas previstas na legislação de seus países. Portanto, em alguns países, como a França, Alemanha, Áustria, Suíça e Israel, o revisionismo é crime. Em outros, como Canadá, Austrália e Brasil são passíveis de outras sanções.
Nesse último, o Brasil, o revisionismo é associado ao anti-semitismo e este foi considerado uma forma de racismo, crime hediondo, que segundo o parecer jurídico do Supremo Tribunal Federal sujeita o infrator à pena máxima.[4]
[editar]Ramificações políticas
O Holocausto teve várias ramificações políticas e sociais que se estendem até ao presente. A necessidade de encontrar um território para muitos refugiados judeus levou a uma grande imigração para o Mandato Britânico da Palestina, que na sua maior parte se tornou naquilo que é hoje o moderno Estado de Israel. Esta imigração teve um efeito directo nos árabes da região, levando ao conflito israelo-árabe e ao conflito israelo-palestiniano.
O Holocausto dos Judeus
Julio Severo

O Holocausto de seis milhões de judeus europeus durante a 2 Guerra Mundial foi um dos fatos mais terríveis da humanidade, porém esse acontecimento deveria ser esperado. Afinal, a Europa foi acumulando aversão aos judeus durante séculos. Toda essa hostilidade crescente chegaria, mais cedo ou mais tarde, a um ponto de ebulição.

Adolf Hitler chegou ao poder num momento em que o ódio contra os judeus era intenso, e ele se aproveitou para canalizar todo esse ódio ao seu plano de extermínio dos judeus. Durante os anos do governo nazista na Alemanha, os judeus perderam sua cidadania e se tornaram seres humanos sem direito a refúgio e a uma mínima dignidade. Tal política sistemática de desprezo aos judeus foi a etapa necessária para iniciar o extermínio. O ódio europeu aos judeus finalmente alcançou seu ponto de ebulição.

Há evidências históricas de que desde o começo da guerra os Aliados tinham algum conhecimento do extermínio dos judeus em campos de concentração. É provável que se a suspeita de extermínio envolvesse suíços ou escandinavos, os Aliados tivessem adotado medidas mais enérgicas para apurar e comprovar os acontecimentos nos campos de concentração — sem mencionar medidas para deter as matanças. Mas não houve reação e interesse necessário, pois os massacrados pertenciam a um grupo desprezado por todas as nações.

O próprio Hitler apostava tanto no desprezo mundial aos judeus que ele deu a um numeroso grupo de judeus a liberdade de sair da Alemanha de navio e se refugiar em qualquer país que quisessem. O navio passou por portos de algumas nações, com sua carga de infelizes seres humanos. Nenhuma nação estava mostrando disposição real e sincera de abrir os braços para acolher os judeus.[1] Hitler acertou na sua previsão.

Talvez tal reação indiferente da comunidade internacional ao desespero dos judeus tenha deixado Hitler mais convicto de seus propósitos assassinos contra os judeus. Debaixo dos olhos indiferentes das nações, os nazistas despejaram sobre seis milhões de judeus o ódio europeu acumulado durante séculos.

Não há nada que se possa fazer para recuperar tantas vidas perdidas para a insanidade antijudaica nazista, mas o Holocausto deveria ser marcado como um memorial ao direito à vida que os judeus, como todos os seres humanos, têm.

As tentativas modernas, entre grupos neonazistas e muçulmanos radicais, de negar o Holocausto só tendem a inflamar de novo um ódio que não pára de crescer até chegar ao seu ápice de sacrifício de milhões. A negação, nesse caso, é o Holocausto da própria Verdade.

Outra tentativa de neutralizar o Holocausto de sua essência judaica é adicionando desproporcionalmente ao Holocausto outros grupos humanos, como se milhões deles também tivessem perecido. Hitler realmente se aproveitou dos campos de concentração para exterminar também ciganos, criminosos, estupradores, opositores do nazismo e homossexuais. Mas sua principal finalidade para esses campos era os judeus. Seu ódio máximo era contra os judeus. Somente os judeus foram exterminados em seis milhões de vítimas.Depois da guerra, havia ainda muitos opositores do nazismo, criminosos, estupradores e homossexuais europeus. Mas não havia muitos judeus. Os judeus da Europa enfrentaram sua quase extinção.

Ao lembrarmos o Holocausto, precisamos agir a fim de que o ódio contra os judeus não venha novamente a se acumular. Precisamos também ter o cuidado de não adotar uma posição indiferente, como fizeram os Aliados, pois tal indiferença é dar liberdade para os odiadores despejarem seu ódio contra suas vítimas. A indiferença também tornou o Holocausto possível.

Precisamos, pois, nos lembrar de que o Holocausto é um monumento ao preço que os judeus pagaram pelo ódio e indiferença. Estupradores, criminosos e outros grupos socialmente rejeitados pelos nazistas foram mortos em campos de concentração, mas só os judeus experimentaram o sacrifício elevadíssimo de seis milhões de sua raça. Só os judeus tiveram um extermínio quase total. Portanto, todos os que respeitam verdadeiramente os direitos humanos precisam se lembrar do Holocausto como um acontecimento judaico. O Holocausto foi dos judeus.
Holocausto

Aproximadamente 12 milhões de pessoas foram mortas pelos nazistas sem nenhum sinal de ordem escrita e, ainda hoje, muitas questões continuam sem respostas: quem ordenou a Solução Final? Quando foi tomada a decisão do destino dessas pessoas? Houve um plano que serviu de base para Solução Final? Como foi executado este plano?

O Holocausto é uma das maiores e piores atrocidades cometidas pelos seres humanos. Perseguições seguidas de muito sofrimento e muitas mortes.

Pessoas eram retiradas de seus lares obrigadas a abandonar toda a sua vida, toda a sua história e todo o seu passado.

Trens de carga vindos de toda a Europa ocupada pelos nazistas carregando judeus para currais humanos aonde eram fuzilados, obrigados a trabalhar até morrer ou serem asfixiados até a morte em câmaras de gás. Tinham seus cadáveres incinerados ou transformados em sabão, etc.

A megalomania de Adolf Hitler fez do Holocausto a guerra mais destruidora da História. Pregava um darwinismo tortuoso aonde as "raças" mais evoluídas eram os arianos, alemães e outros povos nórdicos destinados a destruir as "raças inferiores" - principalmente aos judeus, aos quais Hitler atribuía a maioria dos males da humanidade.



Breve Histórico do Holocausto

• 1933

Os nazistas sobem ao poder na Alemanha. Adolf Hitler se torna o primeiro ministro (chanceler) prometendo salvar o país da depressão - os nazistas suspendem "temporariamente" a liberdade civil.

Inauguração do primeiro campo de concentração em Dachau. Os primeiros internos são 200 comunistas.

Livros com idéias consideradas perigosas ao pensamento nazista são queimados.

• 1934

Hitler une sua posição como presidente e primeiro ministro para se tornar "Fuhrer" ou, em outras palavras mais simples, líder absoluto da Alemanha.

Jornais judaicos não podem ser mais vendidos nas ruas.



• 1935

Judeus tem seus direitos como cidadão e outros direitos básicos retirados.

Os nazistas intensificam a perseguição aos políticos que não concordassem com sua filosofia.



• 1936

Os nazistas tomas conta dos negócios dos judeus.

Os jogos olímpicos são sediados na Alemanha. As placas com coisas escritas difamando judeus são retiradas das ruas até o final no evento.

Os judeus não tem mais o direito de votar.



• 1938

Tropas germânicas anexam a Áustria a seu território.

Em kristallnacht, na noite conhecida como "Night of Broken Glass", os nazistas aterrorizam os judeus da Alemanha e Áustria - 30 mil judeus são presos.

Judeus são obrigados a carregar suas carteiras de identidade e seus passaportes são marcados com um "J". Também não comandam mais seus negócios; todas as crianças judias são transferidas para escolas judaicas.

Os negócios judaicos são fechados; são obrigados a largar sua segurança e suas jóias, abrir mão de suas carteiras de motoristas e seus carros.

Devem estar em certos lugares nas horas certas.



• 1939

A Alemanha toma conta da Tchecoslovakia e invade a Polônia.

A Segunda Guerra Mundial começa quando a Inglaterra e a França declaram guerra contra a Alemanha.

Hitler ordena que os judeus obedeçam a toques de recolher. Todos os judeus devem usar estrelas amarelas de David.



• 1940

Os nazistas começam a deportar judeus alemães para a Polônia.

Judeus são forçados a morar em guetos.

Começa então o primeiro assassinato em massa de judeus na Polônia.

Os judeus são postos em campos de concentração.



• 1941

A Alemanha ataca a União Soviética (ex-URSS).

Os judeus de toda a Europa Ocidental são forçados a morar em guetos, os judeus não podem sair de casa sem a autorização da polícia, os judeus são proibidos de usar os telefones públicos.



• 1942

Oficiais nazistas discutem a "Solução Final" (o plano de matar todos os judeus europeus) com os oficiais do governo.

Judeus são proibidos de escrever a jornais, ter animais domésticos, possuir equipamentos elétricos, ter bicicletas, comprar carne, ovos ou leite, usar transportes públicos e ir à escola.



• 1943

Por volta de 80 a 85% dos judeus que foram mortos no Holocausto já haviam sido assassinados.



• 1944

Hitler toma a Holanda e começa a deportar 12 mil judeus húngaros por dia para Auschwitz aonde são mortos.



• 1945

Hitler é derrotado e a Segunda Guerra Mundial termina na Europa.



• 1946

Um Tribunal Militar internacional é criado pela Inglaterra, França, Estados Unidos da América e a ex-URSS.

Na cidade de Nuremberg os líderes nazistas são condenados pelos crimes da guerra pela Assembléia Judicial.



• 1947

As Nações Unidas (ONU) estabelece um lugar para ser a terra dos judeus na Palestina (controlada pela Inglaterra na época) que em 1948 se tornaria o estado de Israel.





Auschwitz - maior campo de extermínio

Auschwitz fica localizado ao sul da Polônia e foi o maior campo de concentração e extermínio erguido pelos nazistas que se transformou no símbolo do Holocausto na Europa ocupada pelas tropas de Hitler.

Foram mortas 5 milhões de pessoas no campo de Auschwitz e seu campo vizinho em Birkenau. O principal instrumento de matança nesses dois campos eram as câmaras de gás e as cremações em fornos. A maioria dos mortos eram judeus, homossexuais, ciganos, poloneses, soviéticos, doentes e comunistas.

No total o extermínio alemão levou à morte mais de seis milhões de pessoas - muitas morreram de fome, de trabalhos forçados, de doenças e de torturas.

O campo de Auschwitz foi construído em 1940 e logo chegaram 728 prisioneiros poloneses. No fim de 1941 esse número já subia para 22.500 prisioneiros sendo 11 mil soviéticos (é muito importante ressaltar que os judeus não foram os únicos perseguidos).

No ano de 1942 o gás Zyklon B passou a ser usado na execuções e logo Auschwitz se tornara o maior campo de extermínio de judeus. Três anos depois foi desativado quando o Exército Vermelho Soviético lançou sua ofensiva na Europa contra as tropas de Hitler e libertou os prisioneiros.

O Dia da Recordação das Vítimas do Nacional-Socialismo foi instituído há mais ou menos quatro anos pelo então presidente da Alemanha, Roman Herzog, para lembrar a invasão de Auschwitz e sua liberação pelas tropas soviéticas.

O HOLOCAUSTO NAZI



O Holocausto Nazi consistiu em por em prática um plano de genocídio da população Judaica .

Em 1933 a vida dos Judeus era normal e estável, ou seja, iam à escola, brincavam, iam ao teatro, cinema, tinham os seus negócios e tudo que um cidadão alemão fazia.

No mesmo ano, em 30 de Janeiro, Hitler chega ao poder como Chanceler da Alemanha. Ressentido pela humilhação do Tratado de Versalhes, pois a Alemanha foi obrigada a pagar elevadas indemnizações, a perder as colónias, não podia possuir exército e nem qualquer tipo de fortificações e, como qualquer outro país, estava em dificuldades depois da Depressão, Hitler prometeu "rasgar" o Tratado e acreditava na superioridade da raça Ariana .


Com a subida de Hitler ao poder estava instalada na Alemanha uma ditadura absoluta, que era alimentada por uma ideologia nazi racista (só existe uma raça superior - a raça ariana . As outras raças eram um factor de perturbação na sociedade e haveria que destrui-las ou então teriam de servir a raça superior), com isto começa uma perseguição aos Judeus .

As SS haviam sido criadas como guarda pessoal de Hitler e seriam a vanguarda do movimento nazi para confirmar o povo alemão como raça superior. O chefe das SS (Himmler) pediu aos alemães que seguissem as teorias genéticas nazis e melhorassem a raça. O Estado concedia empréstimos para encorajar os casais a terem mais filhos e as mães com muitos filhos recebiam medalhas.

Os judeus começam por ser obrigados a registarem-se e a usar uma ligadura com uma estrela de David amarela no braço, para não se confundirem com a raça Alemã e para mais facilmente serem identificados.

Pelas ruas Alemãs vêem-se as primeiras frases contra os judeus como: "Nicht für Juden", (interdito a judeus ) ou "porcos Judeus". Estes vêem a sua vida a entrar num beco sem saída, pois são constantemente perseguidos, humilhados e mal tratados na rua. Por exemplo, os alemães iam buscar raparigas judias a casa e obrigavam-nas a esfregar as ruas, escolhiam homens ao acaso e espancavam-nos à frente de todos os Alemães, que se limitavam a assistir.

Os judeus que tinham possibilidades tomavam as devidas precauções para conseguir sair do país. Quanto aos outros teriam que se sujeitar ao domínio de Hitler.


Em 1933/35 são publicadas as leis raciais e são retiradas as lojas e negócios aos judeus, os médicos são proibidos de exercer a sua profissão, nenhum judeu pode ter um cargo político e é lhes retirado o direito de cidadão, ou seja, não são considerados cidadãos alemães.


Em 1938 dá-se a "Kristallnacht", (Noite de Cristal), mais de 200 sinagogas são destruídas, 7500 lojas fechadas, 30 000 judeus do sexo do masculino enviados para campos de concentração. Neste mesmo ano, foram construídos os primeiros ghettos na Alemanha, onde isolavam os judeus do mundo exterior (separados por um muro). Cerca de 600 000 judeus morreram em ghettos com fome e doenças .

Hitler decide então começar a eliminar em maior número os judeus. Para isso os Einsatzgruppen capturavam e levavam os judeus para valas, onde eram obrigados a despirem-se, para em seguida serem mortos a sangue frio. Nestes momentos a dor, o choro, os gritos e os tiros misturavam-se no ar . É então que em 1941 se encontra a "Solução Final"


Os Judeus eram capturados e levados em comboios para os campos de concentração. O que ficou mais conhecido foi o de Auschwitz. Mas muitos deles não conseguiam chegar com vida, pois morriam com doenças e fome, porque a viagem era muito longa e as condições higiénicas não eram as melhores, visto que viajavam em vagões para o gado, apinhados e só havia um balde para as necessidades. Não havia água nem alimentos. Com isto muitos judeus morriam ou adoeciam. Quanto aos outros (aqueles que aguentavam a viagem) não sabiam para onde iam nem o que os esperava embora lhes tivesse sido dito quando embarcaram nos comboios que iam emigrar para trabalhar no Leste da Europa.


Chegados aos campos eram separados por filas de mulheres, outras de homens e de crianças. Aqueles que estavam em condições físicas iriam trabalhar, (pensando que iriam sobreviver), os outros seriam imediatamente mortos. Os judeus eram levados para as câmaras de gás, onde se despiam e em seguida eram mortos com gás. Depois os corpos eram queimados em crematórios ou então faziam-se algumas atrocidades, como : utilização da pele para candeeiros ou experiências médicas com as crianças

AUSCHWITZ


«A única maneira de sair daqui é pela chaminé». Esta foi a frase que milhão e meio de pessoas ouviram antes de irem para a câmara de gás. «Arbeit macht Frei» (o trabalho liberta) é outra frase célebre de Auschwitz escrita numa tabuleta pelos nazis à entrada do campo.

Foi o primeiro campo de extermínio. Foi construído na Polónia onde conseguiram juntar cerca de 155 000 pessoas e onde se criou um complexo de morte.

Os primeiros 20.000 que foram recebidos eram criminosos alemães. Dois outros campos foram construídos na sequência de uma visita realizada por Himmler em 1 de Março de 1941, que decidiu elevar a capacidade para 30.000 e mandar projectar o campo para 100.000 pessoas. Este último campo acabou por ser construído pelos próprios prisioneiros da guerra. Na visita, Himmler anuncia que será construída uma fábrica de armamento para que os prisioneiros participem no esforço da guerra.


Próximo dos campos existentes funcionavam dezenas de oficinas metalúrgicas, fábricas e minas da região.

As execuções em massa de judeus começaram na Primavera de 1942 em Maio, altura em que 1.200 judeus encolhidos nos comboios recém-chegados da Alemanha, Eslováquia e França, foram gaseados. tinha-se descoberto que para cada quilo de peso era necessário cerca de 1 miligrama de Zyklon. Entre 1942/43 usaram 20.000 Kg do produto.


Os médicos do campo seleccionavam quem morreria nas 2 horas seguintes e quem iria trabalhar nos 6 meses futuros.

O comandante de Auschwitz formou entre os presas uma orquestra de instrumentos de corda obrigando-os a tocar «Barcarolle» para os acalmar. Depois deu-lhes postais ilustrados para escreverem para casa dizendo que estavam bem instalados num campo de trabalho imaginário. Os SS prometiam-lhes banhos reconfortantes, pediam-lhes que pendurassem as roupas em cabides numerados e que entrassem numa sala cheia de chuveiros e torneiras mas que eram falsas. Mal a porta da sala se fechava militares SS com máscaras de gás subiam ao terraço e introduziam Zyklon B pelas frestas que actuava em 20 minutos. Os mais novos eram os primeiros a morrer devido ao gás se espalhar mais depressa em baixo.


Um esquadrão especial de presos eram os responsáveis pela limpeza dos corpos, retiravam-lhes as próteses, os óculos, os brincos, colares, alianças, dentes de ouro e rapavam-lhes o cabelo, e só depois eram levados para os fornos para serem queimados. As cinzas eram deitadas nos rios ou usadas como estrume.

Aos sobreviventes eram-lhes atribuídos símbolos próprios que os identificavam: os judeus usavam a estrela de David amarela, os prisioneiros políticos um triângulo vermelho, os ciganos um triângulo negro, as testemunhas de Jeová o violeta, os homossexuais cor de rosa, e para os criminosos o verde.


As refeições eram constituídas por: ao pequeno almoço meio litro de uma aguada a que os nazis chamavam café, ao almoço uma sopa sem carne preparada normalmente com legumes estragados e à noite um pão mal cozido com margarina ou queijo e uma nova tisana. Sendo uma alimentação inadequada levava a que muitos dos detidos fossem parar á enfermaria, conhecida com «antecâmara da morte», pois normalmente o seu sofrimento era aliviado por uma injecção letal ou por um passeio até á câmara de gás.


Os prisioneiros eram punidos por todas e nenhuma razão, por fazer e por não fazerem.

Josef Mengele era um médico do campo e escolheu cerca de 1500 gémeos para usar como cobaias, servindo um de controle e experimentando no segundo. Mandava matar muitos só para os estudar na autópsia. Utilizou também como cobaias sete dos dez anões ciganos que obrigou a dançar nus para as tropas SS. O único que tentou ajudar os prisioneiros foi o bacteriologista Wilhelm Hans Munch, dando-lhes medicamentos e alimentos, correndo assim risco de vida.


Muitos prisioneiros revoltaram-se a partir de 7 de Outubro de 1944, um grupo de presos atirou pedras aos militares enquanto outros pegaram fogo ao edifício, conseguindo muitos deles fugir e sobreviver para contar a história.

Em 27 de Janeiro de 1945, o exército soviético liberta o campo da morte e encontra perto de 3.000 homens e mulheres pesando entre 23 e 35Kg.

SCHINDLER
LIBERTINO E SALVADOR



Oscar Schindler foi descrito como um cínico, um explorador ganancioso de escravos durante a 2ª Guerra Mundial, um mercador que fazia comércio no mercado negro, jogador, membro do Partido Nazi eternamente à procura de lucro, um playboy alcoólico, um desavergonhado, um mulherengo do pior tipo.

No início dos anos 60, Oscar Schindler foi honrado em Israel e declarado "Righteous" (Justo) e convidado a plantar uma árvore na Avenida dos em Jerusalém. Uma estátua no Parque dos Heróis louva-o como o salvador de mais de 1200 judeus.

Hoje há mais de 6000 descendentes dos "judeus de Schindler" a viver nos E.U.A., na Europa e em Israel.

Antes da 2ª Guerra Mundial, a população judaica da Polónia era de 3,5 milhões. Hoje são entre 3000 e 4000 pessoas.

Quem era este Oscar Schindler que começou a ganhar milhões de marcos alemães através de uma cruel exploração de trabalhadores escravos e acabou por despender até ao seu último cêntimo arriscando a sua própria vida para salvar os seus 1200 "judeus de Schindler"?

Oscar Schindler nasceu a 28 de Abril de 1908 em Zwittan na Checoslováquia. Os vizinhos mais próximos eram uma família de judeus ortodoxos cujos dois filhos se tornaram nos melhores amigos de Oscar. A família era uma das mais ricas e respeitadas de Zwittan, mas em resultado da grande depressão dos anos 30 a empresa da família foi à falência.

Oscar Schindler ficou desempregado, e juntou-se como muitos outros alemães na sua situação ao Partido Nazi. Foi recrutado pelos serviços secretos alemães para recolher informações sobre os polacos. Esta actividade tornou-o muito considerado e estimado e permitiu estabelecer muitos contactos com oficiais nazis, o que lhe viria a ser muito útil mais tarde.

Deixou a sua mulher em Zwittan e foi para Cracóvia onde se estabeleceu. Com dinheiro de judeus, reabriu uma antiga fábrica de panelas e converteu-a para produção de armamento, empregando 350 judeus, uma vez que estes eram mão de obra barata.



À medida que o tempo passava, o plano nazi conhecido como "Solução Final" começou a acelerar. Schindler viu o terror provocado pelos nazis e começou a encarar os judeus não só como trabalhadores baratos, mas também como pais, mães e crianças expostas à horrível carnificina do projecto nazi de eliminação total dos judeus.

É então que Oscar Schindler decide arriscar um plano para desviar judeus do seu destino provável nas câmaras de gás. Na sua fábrica situada no campo de trabalho em Plazow, nem os guardas nem ninguém sem autorização de Schindler é autorizado a entrar na sua fábrica. Na sua fábrica os trabalhadores passam menos fome que noutras instalações do mesmo género. Quando a quantidade de comida atinge o limite crítico, Schindler compra-a no mercado negro. Os idosos são registados como jovens de 20 anos e as crianças, registadas como adultos. Advogados, médicos e artistas eram registados como metalúrgicos e mecânicos – tudo para poderem sobreviver como elementos essenciais para a industria de guerra. Na sua fábrica ninguém é torturado, espancado ou enviado para as câmaras de gás. Schindler salvou os judeus deste destino.



Por duas vezes será preso pela GESTAPO mas, graças aos seus conhecimentos consegue ser libertado.

Durante estes anos, milhões de judeus foram mortos nos campos de concentração polacos como Treblinka, Majdanek, Sorbibor, Chelmno e Aushwitz (mesmo junto à fábrica de Oscar Schindler)

Quando os nazis foram derrotados na frente Leste, Plazow e os campos vizinhos foram dissolvidos e fechados. Schindler não tinha ilusões quanto ao que ia acontecer. Desesperadamente exerceu a sua influência, através dos seus contactos nos círculos militares e industriais em Cracóvia e Varsóvia e finalmente foi a Berlim para salvar os "seus judeus" de uma morte certa. Com a sua vida em perigo usou todos os seus poderes de persuasão, subornou sem qualquer medo, lutou e pediu...



Onde ninguém acreditaria que era possível, Schindler teve sucesso. Obteve permissão para mudar a sua fábrica de Plazow para Brinnlitz na Checoslováquia ocupada e levar consigo todos os trabalhadores judeus, coisa que mais ninguém havia conseguido durante a guerra. Desta maneira, os 1098 trabalhadores que tinham sido registados na lista de Schindler, não tiveram o mesmo destino fatal que os outros 25000 homens, mulheres e crianças de Plazow que foram enviados para as câmaras de gás de Auschwitz, a apenas 60 kms de Plazow.

Até à Libertação na Primavera de 1945. Oscar Schindler procurou assegurar de todas as maneiras possíveis a segurança dos "seus judeus". Gastou todo o seu dinheiro e mesmo as jóias da sua mulher para comprar comida e medicamentos. Criou um sanatório secreto na sua fábrica com equipamento médico comprado no mercado negro. Aqui, Emile Schindler, a sua mulher, tratava os doentes. Àqueles que não sobreviveram foi dado um funeral judeu (num lugar escondido) pago por Schindler.

Apesar da família Schindler ter à sua disposição uma enorme mansão junto a fábrica, Oscar Schindler compreendeu o medo que os judeus tinham das visitas nocturnas das SS. Em Plazow, Schindler não passou uma única noite fora do pequeno escritório da fábrica.

A fábrica continuou a produzir munições para o exército alemão durante 7 meses. Durante aquele período nenhuma munição passou nos testes de qualidade militar e por isso pôde ser utilizada. Em vez disso, eram produzidos passes militares e senhas de racionamento falsos, uniformes nazis, armas e granadas de mão.

Incansável, Schindler, conseguiu ainda convencer a GESTAPO a mandar cerca de 100 judeus belgas, dinamarqueses e húngaros para a sua fábrica para "continuar a produção de material de guerra".

Em Maio de 1945 tudo acabou. Os russos ocuparam Brinnlitz. Na noite anterior, Schindler juntou toda a gente na fábrica e despediu-se com muita emoção.

Mais tarde, as contas revelaram que Schindler tinha gasto algo como 4 milhões de marcos alemães mantendo os "seus judeus" fora dos campos da morte (uma enorme soma de dinheiro para aquele .

Oscar Schindler e os "1200 judeus de Schindler" sobreviveram. Poldek Pfefferberg, o judeu que ajudava Schindler a arranjar mercadoria no mercado negro para subornar os oficiais nazis durante a guerra, prometeu mais tarde a Schindler contar a sua história: "O senhor protegeu-nos, salvou-nos, alimentou-nos. Nós sobrevivemos ao Holocausto, à tragédia, à dura batalha, à doença, ao espancamento, às mortes! Nós temos que contar a sua história."

A vida de Schindler depois da guerra passou por uma série de fracassos. Tentou sem sucesso ser produtor de cinema e ficou privado da sua nacionalidade imediatamente a seguir à guerra. Na sequência de ameaças contra a sua vida que antigos nazis lhe fizeram pediu permissão aos E.U.A. para ir para a América, tendo-lhe sido recusado o visto por ter pertencido ao Partido Nazi. Depois disto fugiu para Buenos Aires na Argentina. Fixou-se como agricultor em 1946 tendo sido financiado pela organização da União dos Judeus e também de judeus agradecidos que nunca o esqueceram.

Em Portugal houve também um "Schindler". Foi Aristides de Sousa Mendes, Cônsul em Bordéus.

"Quem salva uma vida
Salva o mundo inteiro."


MORTES CAUSADAS PELO HOLOCAUSTO

Judeus

6 milhões

Prisioneiros de guerra soviéticos

Cerca de 3 milhões

Civis soviéticos

2 milhões

Civis polacos

Cerca de 1 milhão

Civis jugoslavos

Cerca de 1 milhão

Homens, mulheres e crianças com deficiência mental ou física

70,000

Ciganos

Cerca de 200,000

Prisioneiros políticos

Desconhecido

Membros da Resistência

Desconhecido

Deportados

Desconhecido

Homossexuais

Desconhecido

História de Fanny Segal



Fanny Segal, actualmente com 73 anos, foi uma das sobreviventes de Birkenau e Auschwitz que deu o seu testemunho, não deixando as suas colegas ficarem no esquecimento. A sua intenção, era para que todas as pessoas, quer fossem católicos, protestantes ou ateus, fizessem uma oração a essas pobres vítimas. Voltou a Auschwitz em 1988 após 45 anos e só então é que teve coragem de contar aos seus filhos o inferno em que vivera.


Os seus pais eram imigrados da Europa Central. Fanny então com 17 anos, tinha um irmão com 18 anos e outro com 6 anos e ainda uma irmã com 11 anos. Um dia a polícia veio prende-los à sua casa em Paris, levando-os para uma garagem. Aí, ela disse ao seu pai para se acalmar pois não a podiam prender porque ela era francesa. O pai nervoso e cheio de medo acabou por lhe pregar uma bofetada. O comissário apareceu e ordenou-lhe que saísse, tendo ela saído a correr sem se despedir do pai para casa levando consigo o irmão de 18 anos.

Mais tarde era necessário proteger os seus irmãos mais novos, para que não fossem presos. Levou-os a uma camponesa que se ocupava de órfãos, onde tiveram de trabalhar duro para poderem pagar a pensão. Um dia mais tarde cruzou-se com um professor anti-semita que logo os denunciou.

O único amigo que tinha era um padre dominicano do convento da Rua Glaciere, com quem poderia contar sempre. E foi a ele a que recorreu, pedindo-lhe que protegesse os seus irmãos escondendo-os no orfanato, isto antes dela ir para os campos da morte.

No dia 15 de Maio de 1943 dois polícias vieram buscá-los ás 6 da manhã.


NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO»

Fanny Segal e o irmão foram internados no campo de concentração Dracy.

No dia 23 de Junho de 1943 estavam mais de 30 graus, fecharam-na com cem mulheres, velhos e crianças num vagão de transporte de gado para ser deportada. Havia um balde de necessidades para as pessoas todas, viajaram durante três dias e três noites de pé num vagão fechado, tendo como objectivo chegar a Auschwitz.


Quando as portas dos vagões abriram-se, Fanny Seagal viu os «SS» acompanhados por cães, tendo o chefe dos SS organizado duas filas. Aqueles que estavam aptos para o trabalho iam para a fila da esquerda, os que não lhes eram úteis iam para a fila da direita, onde posteriormente eram lavados para câmaras de gás para morrerem.

No entanto ela ainda não sabia o que lhe estava a acontecer. Puseram-nos numa fila indiana tatuando-lhes no braço um número. Obrigaram-nas a despirem-se e bateram-lhes. Depois raparam-lhes o cabelo, os sovacos, e entre as pernas, enquanto lhes era desinfectado todo o corpo.

Fanny entrou numa barraca de madeira, o «bloco» J em que se encontrava um corredor central, tendo em cada lado as «coya» (de três andares; cada andar tinha um metro de altura, divididos em muitas casotas de cerca de dois metros quadrados). As casotas serviam para dormir para comer, para tudo...

Dormiam oito mulheres em cada casota apenas com um cobertor. No Verão era um Inferno, no Inverno a chuva e o frio entravam pelas frestas.


Este era o maior campo de concentração do IIIº Reich. Era um rectângulo de 1,7 km, por 720 metros de largura rodeado de arame farpado. Para vigiar os 100.000 a 150.000 prisioneiros eram apenas necessários 55 «SS». Caso houvesse alguma tentativa de revolta, como o terreno era em campo aberto e era fácil de vigiar dos miradouros e uma rajada de metralhadora parava-a.

As rações alimentares eram calculadas em função do nível de produtividade exigido pelo esforço de guerra nazi e pela medida das mortes planeadas. Quando os prisioneiros morriam de fome ou de doença, pesando 32Kg em média, eram substituídos por novos deportados.

Uma unidade especial de prisioneiros tinha de ir buscar os cadáveres e levá-los para os fornos crematórios. Por vezes, os membros desta unidade encontravam os pais, os filhos, as mulheres e outros familiares entre os cadáveres. Sendo testemunhas oculares do crime nazi, as equipas especiais eram sistematicamente exterminadas nas câmaras de gás e substituídas por outras.

No edifício do forno crematório, o médico Mengele fazia experiências com os prisioneiros.


Mil cadáveres eram queimados por dia, no entanto, quando havia mais cadáveres a sua destruição era feita ao ar livre em camadas intercaladas com lenha.

No pequeno alpendre que ficava logo á direita do portão, era o lugar em que um grupo de deportados tocava música de câmara enquanto os «Komandos» trabalhavam doze horas de trabalho forçado a transportar mortos e doentes da equipa.

Por dedicação à memória das vítimas do nazismo, Auschwitz é hoje um museu. A previsão dos alemães para o extermínio de judeus na Europa é mostrada numa lista alemã datada de 1942. Era de 350.000 na Grã-Bretanha, 5.000.000 na U.R.S.S e 3.000 em Portugal.

No mesmo ano que a lista foi estabelecida, foram enviadas 7 toneladas de Zyklon B para Auschwitz com o objectivo de matar os judeus com esse gás. Já em 1943 foram enviadas 12 toneladas visto que os cálculos do 1º Comandante deste campo, Rudolf Hess, que para matar 1.500 pessoas eram necessários entre 5 e 7Kg de Zyklon B.


No final, apenas restavam os bens deixados pelas famílias judaicas deportadas que se resumiam entre outros, os óculos, as próteses de pernas e braços aproveitadas para fazer experiências, e os cabelos que eram úteis para o fabrico de tecidos.

Fanny Segal foi transferida para o campo de concentração de Ravensbruck, depois para o de Neuengamme no dia 14 de Fevereiro de 1945 dia dos seus anos. O campo foi libertado pelos Soviéticos em Maio.

Fanny chegou a Paris em 24 de Maio desse ano pesando apenas 34Kg e onde um médico tentou interná-la num asilo de doidos por ela lhe ter contado que estivera em Auschwitz.


Entre Maio de 1940 e Janeiro de 1943, foram deportados para Auschwitz cerca de 1.6 milhões de pessoas vindas de 15 países da Europa, sendo que na sua maioria , morreram 1.335.000 nas câmaras de gás, e 137.000 faleceram de fome, de doença, de frio ou brutalidades de todo o tipo, como espancamentos, experiências médicas, enforcamentos, etc
Os Fatos Sobre Israel e o Conflito no Oriente Médio

5. O que foi o Holocausto?


Cartaz do filme anti-semita "O Eterno Judeu", feito pelos nazistas.
Em 1933, Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha e estabeleceu um regime racista sob o enganoso título de Nacional-Socialista, ou do alemão NSDAP – Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães). Esse regime foi baseado na doutrina racial de acordo com a qual os alemães arianos pertencem à "raça Mestre" (Raça Pura), enquanto os judeus eram conhecidos como "Untermenschen", subumanos, que não faziam parte da raça humana.

Em 1939, o exército alemão invadiu a Polônia e deu início ao que se tornaria a Segunda Guerra Mundial. Uma série de vitórias fáceis no começo da guerra deu a Hitler a oportunidade em implementar suas idéias. Ele começou a aniquilação do povo judeu, especialmente em solo polonês, onde vivia o maior contingente de judeus da Europa. Documentos descobertos depois da guerra mostram que sua intenção era exterminar todo judeu no mundo. Para realizar seu plano, suas forças primeiramente concentraram os judeus em guetos; estabeleceram campos de concentração e de trabalho, em muitos casos simplesmente campos de extermínio, e transportaram os judeus para esses campos. Os que não eram aptos para o trabalho eram logo exterminados. A maioria dos outros morreram de inanição ou em virtude de doenças. Na frente oriental, à medida que ocupavam cidades e aldeias, os judeus iam sendo mortos por pelotões de fuzilamento ou por gás, em caminhões fechados.


O povo judeu decidiu impedir que o Holocausto seja esquecido, para que, com sua lembrança, fique assegurado que o mundo não permitirá jamais que torne a acontecer com os judeus ou com qualquer outro povo ou grupo na Terra. Na foto: soldados israelenses junto à chama simbólica no Memorial do Holocausto (Yad Vashem, Jerusalém).

Durante os seis anos de guerra, foram assassinados pelos nazistas aproximadamente 6.000.000 de judeus – incluindo 1.500.000 crianças – representando um terço do povo judeu naquela época. Esta decisão de aniquilar os judeus, já prevista desde 1924 no livro "Mein Kampf", de Adolf Hitler, foi uma operação feita com fria eficiência, um genocídio cuidadosamente planejado e executado. Foi única na história em escala, gerenciamento e implementação, e por essa razão recebeu um nome próprio: o Holocausto.

Menos de cinqüenta anos depois, grupos racistas de neonazistas e grupos anti-semitas tentam negar que o Holocausto tivesse alguma vez existido, ou afirmam que a escala foi muito menor. Existem algumas causas para esse chamado "revisionismo", especialmente políticas e anti-semitas. Alguns desejam limpar o nazismo de sua injúria maior; outros acreditam que o Estado de Israel foi estabelecido para compensar os judeus pelo Holocausto, e ao negar o Holocausto estão procurando destituir Israel de seu direito de existir. Este é o motivo pelo qual os que negam o Holocausto têm muito mais suporte nos países árabes.

Mas o Holocausto existiu, como atestam os testemunhos documentais e pessoais, e o povo judeu decidiu impedir que seja esquecido, para que, com sua lembrança, fique assegurado que o mundo não permitirá jamais que torne a acontecer com os judeus ou com qualquer outro povo ou grupo na Terra.

A negativa da existência do Holocausto é uma abominação e uma ameaça potencial para o mundo inteiro.

Pelo menos 1,1 milhão de judeus foram mortos em Auschwitz
Carlos Ferreira
Da Redação, em São Paulo

Sobrevivente acende velas em memória das vítimas do holocausto, em Edimburgo
Conhecido como um dos piores massacres da história da humanidade, o holocausto - termo utilizado para descrever a tentativa de extermínio dos judeus na Europa nazista - teve seu fim anunciado no dia 27 de janeiro de 1945, quando as tropas soviéticas, aliadas ao Reino Unido, Estados Unidos e França na Segunda Guerra Mundial, invadiram o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, em Oswiecim (sul da Polônia).

No local, o mais conhecido campo de concentração mantido pela Alemanha nazista de Adolf Hitler, entre 1,1 e 1,5 milhão de pessoas (em sua maioria judeus) morreram nas câmaras de gás, de fome ou por doenças.

Quando as tropas entraram no complexo, encontraram cerca de 7.500 sobreviventes, 350 mil roupas de homens, 837 mil vestidos de mulher e 7,7 toneladas de cabelo humano. As câmaras de gás haviam sido desativadas em novembro de 1944. A última execução havia acontecido dias antes, em 6 de janeiro: quatro jovens judias haviam sido mortas, acusadas de esconder explosivos.

Determinar o número exato de vítimas é uma tarefa difícil para os historiadores, pois entre 70% e 75% das pessoas que chegavam ao campo eram enviadas diretamente às câmaras de gás, o que impossibitava a existência de documentação sobre elas. A maioria das vítimas morreu nas câmaras entre fevereiro de 1942 e novembro de 1944.

Fontes históricas mais confiáveis oferecem os seguintes números sobre os vários grupos de vítimas:
Judeus: pelo menos 1,1 milhão.
Poloneses: 140 mil.
Ciganos "sinti" e "roma": 20 mil.
Prisioneiros de guerra soviéticos: pelo menos 10 mil.
Outros (homossexuais, prisioneiros políticos, testemunhas de
Jeová): entre 10 mil e 20 mil.

O campo de concentração de Auschwitz
Construído em maio de 1940, o campo original, conhecido hoje como "Auschwitz I", tinha 28 edificações de ladrilho e várias construções anexas. Foi planejado para receber cerca de 7.000 presos, mas confinava uma média de 18 mil.

Heinrich Himmler ordenou em outubro de 1941 a construção do que hoje se conhece como "Auschwitz II-Birkenau", idealizado desde o princípio como campo de extermínio. Era muito maior do que o outro, com cerca de 250 barracos de madeira ou de pedra, onde chegaram a ser concentrados 100 mil prisioneiros.

Em Birkenau havia três crematórios, cada um com uma câmara de gás. Neles podiam ser queimados até 4.756 cadáveres por dia, segundo documentos das SS.

Nas imediações do campo havia fábricas nas quais as SS exploraram prisioneiros como mão-de-obra, como a IG Farben, onde o gás era fabricado. Aí os nazistas construíram um terceiro campo de concentração, conhecido como "Auschwitz III" ou "Auschwitz-Monowitz".

O holocausto
O episódio, convencionalmente, é dividido em dois períodos: antes e depois de 1941. No primeiro período, várias medidas anti-semitas (contra os judeus) foram tomadas na Alemanha e mais tarde na Áustria. Na Alemanha, seguindo as Leis de Nurembergue (1935), os judeus perderam seus direitos de cidadania, de ocupar cargos públicos, de praticar determinadas profissões, de casar-se com alemães ou de fazer uso da educação pública. Suas propriedades e negócios foram registrados e diversas vezes confiscados.

Atos contínuos de violência foram perpetrados contra os judeus e a propaganda oficial encorajava os "verdadeiros" alemães a odiá-los e temê-los. Conforme o pretendido, o resultado foi uma emigração em massa, reduzindo pela metade a população judaica na Alemanha e Áustria.

A segunda fase, a da Segunda Guerra Mundial, teve início em 1941, quando a perseguição espalhou-se por toda a Europa ocupada pelos nazistas e envolveu trabalhos forçados, fuzilamento em massa e campos de concentração, que eram a base da "purificação da raça alemã" idealizada pelo ditador austríaco Adolf Hitler.

Durante o holocausto, cerca de 6 milhões de judeus foram exterminados. De uma população de 3 milhões de judeus na Polônia, menos de 500 mil restaram em 1945.

Anti-semitismo
No final do século 19 e início do século 20 o anti-semitismo foi fortemente evidente na França, Alemanha, Polônia, Rússia e outros países, e muitos judeus fugiram de perseguições, para o Reino Unido e para os Estados Unidos.

Após a Primeira Guerra Mundial, a propaganda nazista na Alemanha incentivou o anti-semitismo, alegando a responsabilidade dos judeus pela derrota alemã. Em 1933 a perseguição aos judeus era intensa em todo o país. A "solução final" concebida por Adolf Hitler deveria se materializar no holocausto, ou extermínio de toda a raça judaica.
No Iraque, insurgentes degolam civis e soldados norte-americanos humilham prisioneiros iraquianos em fotos divulgadas pela Internet. Em Madri, terroristas explodiram trens que transportavam trabalhadores numa manhã ao se dirigirem para o trabalho. Em Israel, ônibus lotados de civis são explodidos por homens-bomba. Na Rússia, uma escola é transformada em campo de concentração e matadouro de crianças nos moldes nazistas. Em vários lugares da África, a população é obrigada a morrer de fome, ou pelo facão do grupo rival. No Brasil, moradores de rua, indefesos, são covardemente mortos a pauladas.

O noticiário tem usado a palavra ‘barbárie’ para representar morticínios aparentemente irracionais de grandes proporções. Mas, invariavelmente também tem sido usadas palavras semelhantes, tais como: ‘genocídio’, ‘crime hediondo’, ‘holocausto’, ‘massacre’, ‘chacina’, etc. Adiantando o que será comentado mais à frente (item 3), por exemplo, a palavra “holocausto” foi cunhada para ser referir apenas aos crimes dos nazistas cometidos em escala inimaginável principalmente contra os judeus.

A intenção desse artigo não é reduzir o fato criminoso a um simples formalismo de linguagem. Longe disso, é um pretexto para relembrar o que jamais deve ser esquecido, e denunciar as novas ocorrências, sem no entanto descuidar do uso da linguagem, que jamais é neutra, mas pode ser usada para “enfeitiçar” nosso entendimento da coisa acontecida, como diz Wittgenstein. Começamos, então, pelo significado e uso atual da palavra barbárie.

1. Barbárie

A palavra ‘barbárie’ originalmente foi empregada pela mentalidade eurocêntrica, que se considerava o exemplo de organização social civilizada. Foi Vico [1638-1744] que cunhou de ‘barbárie’ o estado primitivo ou selvagem de indivíduos ou grupos que não teriam evoluído rumo ao estado de homem ocidental civilizado[2]. A barbárie passou a se opor ao humanismo, ou seja, é um ato considerado ‘desumano’ porque não respeita os fundamentais valores conquistados no campo da ética, do direito, da ciência, da democracia pluralista e da própria organização social. No século 20, o termo ‘barbárie’ sofreu uma virada de sentido com as pesquisas antropológicas que reconheceram as demais culturas humanas não brancas também eram dotadas de organização social racional, tinham valores e preceitos morais próprios, portanto, eram civilizadas. Essa virada, com C. Lévi-Strauss, chegou-se ao extremo de considerar que bárbaro autêntico é aquele que apenas denuncia a barbárie do vizinho e não se dá conta de reconhecer sua própria barbárie[3].

Wittgenstein observou que o uso da palavra, determinado por certas contingências, muitas vezes perverte o seu sentido original ou etimológico. Por exemplo, no Brasil, entre as décadas de 60 e 70, surgiu um modismo lingüístico que empregava a palavra ‘bárbaro’ representando o ‘bom’, o ‘bonito’, a coisa ‘interessante’, o ‘novo’. Assim, “Fulano de tal era considerado bárbaro!”, “Que coisa bárbara!”, são frases que representavam algo novo, interessante e bom. Aproveitando o clima da época, Caetano Veloso, Maria Betânia, Gal Costa e Gilberto Gil – hoje Ministro da Cultura do Governo Lula – batizaram o seu show de “Os doces bárbaros”.

Todavia, nos dias de hoje, no início do terceiro milênio, a palavra ‘barbárie’ passou a significar o sentido originalmente negativo; passou a ser empregada para caracterizar um ato criminoso em que os civis são o alvo[4], cujos requintes de perversidade, até então impensável, representam um retrocesso no processo civilizatório. Uma vez que o ato de guerra é dirigido contra forças militares convencionais, o ato de barbárie é rotineiramente dirigido contra alvos civis, e, nesse sentido, é considerado um ato covarde e repulsivo. Quando iraquianos dançaram em volta de corpos de soltados norte-americanos queimados e pendurados em postes, logo, foram considerados pela mídia de ‘bárbaros’. Da mesma forma a decapitação, abolida depois da revolução francesa de 1889, também hoje é considerada um ato de barbárie. Matar a pauladas moradores de rua (Brasil) ou usar facões para decepar braços e pernas de crianças (Ruanda), são considerados atos de barbárie. A escravidão conduzida pelo homem branco cristão maculou para sempre a história da humanidade, é inegavelmente uma barbárie nascida na civilização branca ocidental.

O filósofo J. Racière (2004) refere-se como ‘bárbaros’, na atualidade, os jovens habitantes ainda não socializados das periferias que fazem algazarras ou praticam violência contar os passageiros dos transportes coletivos, contando com a indiferença e falta de solidariedade das pessoas ditas civilizadas diante do sofrimento dos outros. A globalização econômica, embora fazendo uso de instrumentos da civilização, termina causando efeitos bárbaros de exclusão social, de competição insana entre nações, grupos e pessoas, aumento da criminalidade, etc.

Mas, a barbárie consegue maior visibilidade quando o crime de morte aparece em grandes proporções, numa forma antes impensável e surpreendente, obtendo imediato destaque de espetáculo na mídia. Assim, os assassinatos dos moradores de rua de São Paulo e Belo Horizonte são considerados atos de barbárie, a matança de crianças são igualmente atos de barbárie, ou até mesmo podem ser tipificados como genocídio.

2. Genocídio

O ‘Genocídio’ [do latim genus = família, raça, tronco, do grego genos e caedere = matar, cortar] é uma palavra cunhada por Raphael Lemkin em 1944 para especificamente se referir à política do governo nazista de extermínio completo dos judeus, ciganos, comunistas e homossexuais. Até então a humanidade não tinha sofrido nada igual; nunca o crime foi imaginado, racionalmente planejado e executado pelo Estado, em proporções gigantescas. O crime de genocídio constituiu uma das acusações contra os líderes nazistas no Tribunal Militar Internacional de Nuremberg em 1944, e, posteriormente, passou a vigorar na ONU sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio (UNGC), que entrou em vigor em 1951, mas até hoje raras vezes foi aplicado. Lemkin imaginava que a palavra genocídio poderia evocar nas pessoas uma atitude de repulsa ao crime de massa e de luta pelos direitos humanos.

O genocídio quer dizer algo mais que um massacre[5] ou chacina total ou parcial de um grupo, mas sim a continuada e persistente prática de extermínio em massa praticada principalmente por um governo. A rigor, o genocídio é definido como “crime contra a humanidade, que consiste em cometer, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, qualquer dos seguintes atos: I) matar membros do grupo; II) causar-lhes lesão grave à integridade física ou mental; III) submeter o grupo a condições de existência capazes de destruí-lo fisicamente, no todo ou em parte...”.”.”.”. (Dic. Aurélio). Também é considerado genocídio, a interdição da reprodução biológica e social de membros de grupos étnicos, bem como também a prática de terror contra supostos inimigos reais ou potenciais. O Brasil regula e define o genocídio pela Lei no. 2. 889, de 1º. de outubro de 1956. A Lei no. 8.072, de 25-07-1990, o considera como “crime hediondo”[6] e, como tal, insustentável de anistia, graça, indulto, fiança e liberdade provisória[7].

É curioso que o genocida geralmente utiliza mecanismos de defesa psíquica como a racionalização e a intelectualização tentando desse modo justificar o seu ato como de “legítima defesa”, proteção contra o “intruso”; ou seja, o outro é sempre visto como “perigoso”, “inferior”, “estrangeiro”, “infiel”, “selvagem”, “coisa” ou “objeto”[8], enfim, o ‘outro’, o ‘diferente’ é sempre considerado um problema para a existência do genocida; como é marcado na sua singularidade, o ‘outro’ não é visto como ser humano total, não é ‘humanizado’ em sua condição de ser existente[9]. Não podemos esquecer, por exemplo, que o ditador Saddan Hussein é acusado de cometer crime de genocídio contra os curdos, que Milosevic, é igualmente acusado de crimes de genocídio - “crimes contra a humanidade” - tal como foram primeiramente acusados e condenados pelo Tribunal de Nuremberg, o alto comando do governo nazista. É sabido que na pauta da política dos sérvios chefiados por Milosevic, existia a chamada ‘limpeza étnica’ contra os que eles consideravam ‘inferiores’, resgatando desse modo a ideologia da “solução final” do governo nazista de Hitler, que via principalmente nos judeus uma ameaça econômica e racial para a supremacia da raça ariana.

Pode-se dizer que existe uma “razão genocida”, que constrói campos de concentração, elabora um plano de economia sustentada no trabalho escravo de prisioneiros, também elabora um discurso pretensamente moral sobre a “legitimidade”, a “racionalidade” e mesmo a “virtuosidade” do extermínio em massa de pessoas de todas as idades.

É necessário denunciar que o crime de genocídio do Estado ou de qualquer ato de barbárie de grupos extremistas, embora pareçam ser irracionais, na verdade, são cometidos em nome de alguma causa ‘justa’, uma ‘lógica do bode expiatório’ (Zaluar, 2004). O ato monstruoso sempre recorre a uma moral tosca cuja razão cínica satisfaz aos irmãozinhos que compartilham com a mesma crença, que acreditam nas sombras dogmáticas projetadas por um psiquismo esclerosado. Muitas vezes quem pratica o grande massacre se coloca como vítima, justificando que foram ‘obrigados’ a praticar o ato monstruoso por ‘defesa própria’ ou por ‘virtude’. Ou seja, os grandes massacres “sempre foram feitos em nome da religião verdadeira, da ideologia justa, do racionalismo legítimo, etc” (Japiassu, 2001 citando F. Jacob).

Depois de Auschwitz, a razão está sob suspeita. A razão não precisa estar dormindo para produzir monstros. Pior, quanto acordada, a razão produz os piores e inimagináveis monstros e monstruosidades que a própria razão desconhecia ser capaz de cometer. Não podemos mais confiar em qualquer discurso racional, ético ou moral, porque em nossa época até a razão e a linguagem são usadas para fins irracionais. Cada vez mais – infelizmente – a razão cínica é usada para forjar uma moral do ato criminoso, especialmente quando este foi cometido em escala até então inimaginável, como foi o genocídio cometido pelos nazistas, soviéticos, sérvios, sunitas, tribos africanas, enfim, não importa se em nome da “supremacia da raça ariana”, da “da causa socialista”, ou da causa supostamente ‘santa’ que levou, por exemplo, ao massacre das crianças de Beslan.

3. Holocausto

A palavra holocausto [gr. Holókauston], originalmente, significava o "sacrifício em que a vítima – um animal - era queimada inteira", tendo assim um sentido de imolação ou expiação[10]. No período nazista, entre 1935 e 1945, os judeus se viram diante de um novo holocausto, sendo obrigados à perda da cidadania, a trabalhos forçados, a suportarem a brutal separação dos membros da família inclusive de crianças, a serem fuzilados em massa, a serem transportados pela força para os campos de concentração onde terminavam sendo exterminados coletivamente em câmaras de gás. Durante o holocausto, cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados para cumprir o que os nazistas chamavam de ‘solução final’.

Segundo alguns analistas, o emprego da palavra holocausto teve o intuito de significar mais que a palavra ‘genocídio’. C. Lash (1990), por exemplo, argumenta que “o massacre dos judeus tornou-se holocausto porque a palavra “genocídio”, numa época genocida havia perdido a capacidade de evocar os sentimentos apropriados aos fatos que procurava caracterizar. Ao buscar uma linguagem ainda mais extrema, os historiadores do holocausto contribuíram para a degradação do “genocídio” (...). Contra os poloneses e outros povos cativos da Europa oriental, Hitler praticou o que pode ser denominado de genocídio, de acordo co Y. Bauer (...). [isto é, a política nazista assassinou sistematicamente judeus, e, também, comunistas, homossexuais, ciganos, Testemunhas de Jeová, e todos as pessoas consideras ‘inferiores’. No entanto], “é preciso alertar que somente os judeus experimentaram um holocausto” (Lash, 91). Portanto, mais do que o genocídio, a palavra holocausto passou a ser empregada com o sentido de extermínio em massa racionalizado e insano dos judeus, coisa que era “impensável” até acontecer de fato como o maior acontecimento trágico[11] do século 20.

Entretanto, o termo holocausto “tornou-se um slogan judeu válido para qualquer assunto sobre o qual se converse”, na expressão de Jacob Neusner,

“uma espécie de palavra-chave judaica para o mal-estar comum. Uma sociedade formada por pessoas que se vêem como vítimas e sobreviventes encontra em Auschwitz a mitologia consumada da vitimização e da sobrevivência. Rejeitando a única lição que Auschwitz têm para oferecer – a necessidade de uma renovação da fé religiosa, a necessidade de um compromisso coletivo com condições sociais decentes – ela estuda minuciosamente os registros históricos em busca de um ensinamento que Auschwitz provavelmente não pode render: como sobreviver a um holocausto. A Solução Final tornou-se uma obsessão particular dos judeus porque a mitologia do holocausto ajuda a manter a identidade étnica judaica, como apontou Neusner, num período do qual a identidade dos judeus não é definida pela religião; mas ela se tornou uma obsessão geral porque carrega a promessa falsa e sedutora de ingressos na tecnologia da sobrevivência”.... O holocausto tornou-se um ‘vale-tudo’ literário” [12] e político.

Hoje, quando se levantam protestos contra os atos criminosos do Governo de A. Sharon contra os palestinos,os judeus ultra-ortodoxos imediatamente sacam de lugar de “vale tudo” sua condição de vítimas supostamente indefesas cercadas por estados árabes ou por supostos terroristas islâmicos. O ‘muro da vergonha’ de Sharon, em construção, além de ser ato unilateral e bárbaro, divulga um discurso vitimista e neofascista.

4. Barbárie X civilização

Num artigo de 1968, Adorno, influenciado pela psicanálise, diz entender por barbárie a agressividade primitiva humana, os impulsos de destruição que tem por propósito destruir as conquistas da civilização, tais como a ética, o direito, a democracia pluralista, as ciências, a idéia de progresso, etc.

No seu tempo, Adorno (1995b) apontava como a maior das barbáries o genocídio praticado pela política nazista de extermínio em massa de judeus, comunistas, testemunhas de Jeová, homossexuais, bem como o ato criminoso de qualquer Estado totalitário – nazi-fascista ou comunista – contra os opositores reais ou virtuais. No sistema democrático capitalista, o pensador alemão também identificou a barbárie na arte, na cultura, na educação, na mídia, cujos sintomas uma reação desproporcional em ato que faz oposição aos avanços da civilização’. O autor alemão considera a falência da cultura e da educação a “razão objetiva da barbárie” (1995a: 164); a barbárie se autoriza numa sociedade onde a cultura e a educação deixam de ser prioridade tanto do governo como da sociedade civil.

Estaríamos hoje vivendo um processo de barbarização em todos os setores da sociedade. A falta de respeito para com o próximo, a falta de vergonha, a atitude dogmática e esclerosada do pensamento, a recusa em reexaminar as posições conservadoras, a indiferença para com o sofrimento dos outros, a incapacidade de identificação com os diferentes, os chamados crimes de ódio, os atos amoucos[13] cada vez mais freqüentes, a crença de que somente a “lei do cão” é capaz de consertar o mundo injusto e desigual, são alguns dos sintomas de barbárie do nosso cotidiano.

Em hipótese alguma podemos esquecer que as conquistas do estado de direito democrático – mesmo imperfeito e ditado pelo liberalismo capitalista - do conhecimento científico, não podem ser anulados em nome do tradicionalismo ou do irracionalismo que se estabelece antes pelo terror do que pelo convencimento. A única garantia da humanidade ainda se sustenta numa certa confiança na razão, na ética e no diálogo entre diferentes. O pseudo-argumento de que “estou recorrendo ao genocídio, ou ao massacre deste ou daquele grupo social como último recurso, porque eles são mais terroristas do que eu”, deve ser desmascarado como imoral e ilógico. Dizer que a barbárie cometida contra as crianças da escola de Beslan vem da política do governo de Putin, não a faz menos barbárie. Nada justifica o assassinato de crianças, diz o cineasta Mikhalkov. Um único ato de barbárie faz a humanidade retroceder no que considera avanço de civilização.

“Eles não assumem o que fazem”

Aquele que comete qualquer ato bárbaro jamais se identifica como sujeito de seu ato monstruoso. E, jamais se identifica com suas vítimas. Susan Sontag (2003) observa que tanto os chefes nazistas como os chefes que comandaram as atrocidades de Camboja, de Sarajevo, em Ruanda na África ou em Beslan na Rússia, não se identificam com suas vítimas e seu desespero. E, nunca assumem seu ato como monstruoso, isto é, quanto mais absurdo e cruel é caracterizado o crime cometido maior é a negação do criminoso.

Os nazistas sempre dirão que o genocídio ou holocausto foi uma encenação montada para as câmeras. O neonazista até hoje nega veementemente o holocausto. Divulgam que os judeus fizeram aquele filme projetado no Tribunal de Nuremberg[14] como uma farsa de Hollywood. A mesma atitude teve o diretor de propaganda em favor do ditador espanhol Franco ao afirmar que “foram os bascos que destruíram Guernica, sua própria cidade, e ex-capital, em 26 de abril de 1937, pondo dinamite nos esgotos (numa versão posterior, lançando bombas fabricadas em território basco), com o intuito de despertar indignação no exterior e revigorar a resistência republicana”. Na guerra dos Bálcãs a maioria dos sérvios residentes na Servia ou no exterior sustentavam, até o fim do cerco sérvio a Sarajevo, e mesmo depois, que os próprios bósnios haviam perpetrado o tenebroso “massacre da fila do pão” em maio de 1992, e o “massacre do mercado” em fevereiro de 1994, despejando bombas de alto calibre no centro da sua capital ou instalando minas a fim de criar cenas especialmente horripilantes para as câmeras dos jornalistas estrangeiros e angariar mais apoio internacional para o lado bósnio. (Sontag, op. cit. , 15). G.W. Bush nos EUA, A. Sharon em Israel, e V. Putin na Rússia, e tantos outros políticos de feitio tirânico manipulam a mídia para seus próprios interesses, construindo sua permanência no poder e sua política unilateral e agressiva sustentando um discurso persecutório da ameaça terrorista internacional. De um lado como de outro, a incapacidade de identificação com o outro em seu sofrimento, miséria, intolerância e irracionalismo, promovem no mundo mais barbáries que nossa razão não pode imediatamente entender.

5. Esperança na era de Aquarius ou na educação?

Nesse quadro de perspectivas sombrias, Adorno e Arendt (1972), já no pós- guerra, sustentavam esperança na educação e na cultura – e não na repressão policial, na guerra ou no terror. Inicialmente caberia a educação e a cultura um papel fundamental para evitar a metástase da barbárie no mundo. Cabe a escola, a universidade e a mídia uma importante função: ser agentes da civilização. “O professor é um agente que ajuda a sustentar a civilização”, diz M. Oakeshott (s.d.).

Diante do crescente risco de barbarização dos valores da civilização, é que Touraine, dentre vários filósofos de nossa época, vem a público dizer que é preciso dar “prioridade para a preservação das conquistas da civilização tais como o estado de direito, o respeito e o convívio para com as diferenças humanas, a livre garantia de troca e de debate de idéias, a difusão do conhecimento científico e a sustentação do ensino laico, esta última como uma conquista do iluminismo, como declarou A. Touraine (2004).

A educação, mais especificamente, o ‘ensino’ [e não a ‘doutrinação’ baseada em livros religiosos ou laicos tomados como dogma], quando investem na manutenção das conquistas humanas fundadas no conhecimento dialógico, pode contribuir para evitar prevenir a metástase da barbárie no todo da sociedade. Porém, o conhecimento científico, a idéia de progresso, e a razão prática, não garantem evitar que a civilização se sustente. Adorno (1995a), por sua vez, é enfático quando observa que a “questão mais urgente da educação contemporânea é a desbarbarização” da humanidade (...); a desbarbarização da humanidade é a precondição imediata da sua sobrevivência” (1995b: 101-103).

Se para Marx “a história da humanidade é a história da luta de classes”, para J.-F. Mattei (2000) “a história da humanidade é a história da barbárie” [15], ou a tentativa de se evoluir minimamente dela. A educação, o ensino e as artes constituem quase que exclusivamente formas de evolução da barbárie.

A barbárie prova a cada dia ser constitutiva da humanidade. “Um animal ou um Deus não pode cair em barbárie, pois o animal, puro instinto, ou o deus, pura razão, para empregar a linguagem de Pascal, estão abaixo ou acima do humano” (Mattei, 2002 : 58). Só o homem pode cometer atos de barbárie, porque como é fruto da cisão entre razão e pulsão-instinto, do entendimento e da paixão, a pulsão não educada ou não civilizada suficientemente, pode levar um sujeito ou grupo humano aos desatinos sem volta.

O grande perigo da barbárie hoje é ter pretensões apocalípticas de destruição da humanidade e do próprio planeta. Entretanto, há otimistas – que bom que eles ainda existem - que entendem que nossa dimensão demasiadamente humana pode ser educada e transformada em desejo canalizado em prol da cultura, da linguagem dialógica e da construção de uma verdadeira civilização dotada sobretudo de sabedoria.

por Adrian Extrakt

No próximo dia 9 de Novembro lembramos o 67o aniversário da noite que deu início ao Holocausto.

O partido nazista chega ao poder em 1933. Este fato viria a marcar a história da humanidade de forma diabólica, a “civilização” seria testemunha do maior assassinato em massa jamais cometido. Mais de cinqüenta milhões de homens e mulheres sucumbiram na Segunda Guerra Mundial entre eles seis milhões de judeus exterminados, engolidos por uma máquina de mentir, torturar e matar. Nunca, nenhum povo sofreu o que os judeus europeus sofreram sob o manto negro do ódio nazista. Diante da indiferença do mundo os judeus europeus foram sistematicamente massacrados pelo simples fato de serem judeus.

Assim que foram promulgadas as leis de Nuremberg em 15 de setembro de 1935 os judeus foram privados de todos seus direitos, já não mais seriam cidadãos, os judeus alemães passariam a ser súditos do Reich, seus bens seriam confiscados, seriam proibidos de exercer profissões liberais, tiveram suas contas bancárias congeladas entre outras medidas para marginalizar a comunidade judaica. A máquina de propaganda nazista aproveitou a judeo-fobia ancestral para justificar seus atos. Não teria sido possível fazer tudo o que fizeram os nazistas se não fosse pela colaboração em massa da maioria do povo alemão. No dia 7 de novembro, Ershel Grynzspan ,um jovem judeu filho de poloneses que moravam na Alemanha (e que foram expulsos sem ser aceitos pela Polônia), entrou na embaixada alemã em Paris e acreditando estar na presença do embaixador atirou mortalmente contra o diplomata Von Rath que trabalhava como conselheiro na embaixada. O jovem Ershel de 17 anos tentou chamar a atenção do mundo para a difícil situação dos oitenta mil judeus poloneses que se encontravam sem pátria em território alemão ;porém seus atos vieram a servir como justificativa para o regime de Hitler levar adiante o pogrom de Kristallnacht, A Noite dos Cristais Quebrados.

Na fatídica noite do nove para o dez de novembro de 1938 as milícias nazistas SA e SS deram o pontapé inicial para o que conhecemos hoje como o Holocausto do povo judeu; não foi nesta noite que tudo começou porém foi nesta noite onde começou a ser derramado sangue judaico para aplacar a sede de morte dos alemães. Foi neste dia quando já não eram os livros do Talmud os que eram queimados senão os próprios judeus.O pogrom de Kristallnacht marcou um ponto de quebra dentro da política racial alemã e dos planos para o futuro da judiaria européia. Até o nove de novembro de 1938 os nazistas nunca tinham testado a violência antijudaica levada ao extremo mortal que só pioraria até a queda do regime e o fim da guerra.Os nazistas assassinaram perto de 100 judeus, queimaram centenas de sinagogas, milhares de prédios judaicos depredados e quase 30.000 judeus foram deportados para campos de concentração numa mesma noite. O regime testou que aconteceria se matassem judeus. Qual seria a resposta do povo alemão?E qual seria resposta externa?A verdade é que as vozes de crítica foram poucas e abafadas.Então o regime não teria obstáculos para levar as mortes ao grau de carnificina, o Holocausto tinha começado.

Esta é a historia que todos sabemos, esta é a historia repetida mantricamente todos os anos em todas as instituições judaicas, em todas as escolas e sinagogas. Nossas vidas estão marcadas pelo Holocausto, impossível é imaginar uma vida judaica indiferente ao que aconteceu nos campos de extermínio, guetos e ao longo de todo o Império Alemão de Hitler. E a noite do nove de novembro de 1938 deve ser lembrada como a primeira data do maior crime da história. O eco dos cristais se quebrando pode ser ainda ouvido no olhar dos sobreviventes do massacre, e deve ecoar dentro de cada coração judeu como um alarme silencioso para nos manter alerta toda vez que nossa integridade (física, mental, religiosa ou cívica) seja ameaçada.

Ninguém sabe o que pode acontecer amanhã, mas fatos como o Kristallnacht nos demonstra que acontecimentos maiores podem ser antecipados de acontecimentos menores. Um ensinamento claro de não subestimar aos inimigos do povo, não podemos ser tolerantes com demonstrações de ódio antijudaico. Não podemos ser indiferentes e querer olhar para o outro lado, fingir que nada acontece. Hoje vemos que a judeo-fobia está crescendo e se encobre atrás da cortina da livre expressão, do anti-sionismo ou de “inocentes preconceitos”. Nós judeus devemos nos unir e chamar a atenção da sociedade para estas manifestações, que ameaçam a democracia.E lembrar que não devemos subestimar nossos inimigos e que a nossa história esta sendo escrita todos os dias, mesmo no próximo dia nove no 67o aniversário do Kristallnacht.

“Que D’s abençoe o povo de Israel com paz”

Abençoada a memória de todos aqueles que foram mortos na Shoa.

ADRIAN EXTRAKT PARTICIPOU DE CURSO DA UNIVERSIDADE DE JERUSALÉM PARA JOVENS DA DIÁSPORA , FOI PEIL BETAR SÃO PAULO, ALUNO DA HAFGANÁ E SE DEDICA A DIVULGAR OS TERRORES COMETIDOS NO HOLOCAUSTO.

Holocausto
Em 30 de janeiro de 1933, Adolph Hitler foi nomeado pelo presidente Hindenburg chanceler (chefe de governo da Alemanha). Este era chefe do partido Nacional Socialista (nazista) cuja "teoria" era a discriminação e racismo. A Alemanha foi denominada Terceiro Reich. Começaram as perseguições aos comunistas, social democratas e judeus.

O partido nazista foi declarado único partido legal da Alemanha. Outros foram declarados fora de lei. Judeus perderam cidadania alemã. Em 1o de dezembro, Hitler declara o nazismo único partido permitido por lei. Em 2 de agosto de 1934, Hindenburg morre e Hitler se torna chanceler e chefe do exército e das forças armadas.

Os judeus passaram a ser declarados inimigos do Estado. Foram banidos dos empregos públicos e obrigados a usar a estrela amarela, uma na frente e outra nas costas, para diferenciá-los do restante da população. Era-lhes proibido empregar qualquer mão de obra não judaica. Além disso, não puderam exercer nenhuma profissão liberal.

Em 1935, foram proclamadas leis racistas, chamadas Leis de Nuremberg. Nestas leis, era proibido aos judeus casar ou manter relações com arianos, ato este considerado vergonha racial. Quem desrespeitava estas leis era preso e levado para campos de concentração. O primeiro campo de concentração era Dachau, que foi criado em 23 de abril de 1933.

Em 7 de março de 1936, tropas alemãs violando o armistício assinado em Versailhes, ocupam Renania. Nenhum país reclamou. Isto foi o primeiro erro das potências que no final levou à Segunda Guerra Mundial. Tivesse naquela época resistido, o mundo teria levado outro rumo. Só não esboçaram resistência porque nazismo apresentava-se como campeão contra o comunismo, e é por isso que foi tolerado. Os nazistas, sabendo disso, aproveitavam-se da ocasião. Em 25 de outubro de 1936, Hitler e Mussolini fazem o acordo chamado Acordo Roma-Berlim. Em 25 de novembro, o Japão se junta a este pacto, denominando-se eixo Roma-Berlim-Tóquio.

Em 16 de julho de 1937 abre mais um campo de concentração, Buchewald. Em 5 de novembro do mesmo ano, numa reunião secreta apresenta os planos para a guerra. Em 13 de março de 1938, o exército alemão toma a Áustria, e aplica leis anti-judaicas. Novamente o mundo ficou calado. Em 22 de abril, um decreto elimina oficialmente os judeus da economia alemã. Os alemães assumem seus lugares. Em 15 de junho, começam as prisões dos judeus anteriormente presos, inclusive por violação das Leis de Trânsito. Naquela época, os nazistas queriam que os judeus saíssem da Alemanha. Porém, não havia lugar para eles. Foi improvisada uma conferência internacional em Heviam, França, para achar um lugar para os judeus se refugiarem. Ninguém os queria. A conferência acabou em fracasso.

Em 29 de setembro de 1938, em Munique, a França e Grã-Bretanha concordam com a anexação dos Sudetos Checos.

Em 5 de outubro, a sugestão do Governo Suíço os passaportes do judeus alemães são marcados com a letra J. Este procedimento era para bloquear a entrada de judeus alemães na Suíça.

Em 28 de outubro, os judeus não nascidos na Alemanha foram presos, os bens confiscados, e levados (mandados) para fronteira com a Polônia e lá simplesmente jogados. De início a Polônia não quis deixá-los entrar. Ficaram ao relento, em condições muito precárias. Só depois de um tempo o governo polonês lhes consentiu a entrada.

Entre esses infelizes havia uma família Grynszpan. Em 7 de novembro, o filho Herschel se achava em Paris. Revoltado com este procedimento aplicado a seus pais, atira num dos funcionários da embaixada alemã em Paris. Isto deu às organizações nazistas a oportunidade de organizar um massacre (Pogrom) à pacífica e ordeira comunidade judaica na Alemanha. Este massacre foi planejado pelo Heydrich Goebbels e Goering.

Esta noite de 9 de novembro foi denominada Kristall Nacht, ou Noite dos Cristais. Isto porque os nazistas quebraram as vitrines e vidros de residências e lojas judaicas e a luz da lua quando iluminava (refletia) o chão os fazia (os vidros parecerem) refletir como cristais. Foram queimadas também todas as sinagogas na Alemanha. Sete mil e quinhentas oficinas foram destruidas e centenas de residências danificadas. Os prejuizos eram calculados em várias centenas de milhões de marcos. Mil judeus foram assassinados. Vinte e seis mil foram mandados para campos de concentração.

De fato, com a noite de cristal começou o Holocausto. Os nazistas queriam saber até onde poderiam ir com seus planos macabros, sem arriscarem-se de serem censurados por outros países. E viram que não há limites. Tinham luz verde. Poucos e tênues protestos foram expressados. A trajetória para o Holocausto estava aberta.

De 12 a 15 de novembro todas as crianças judias foram expulsas das escolas. No mesmo dia foi decretado a expropriação compulsória de todas as oficinas, indústrias e estabelecimentos comerciais dos judeus.

Em primeiro de janeiro de 1939 foi adicionado aos documentos de judeus para homens de Israel e para mulheres Sarah. Em 30 de janeiro, no Parlamento (Reichstag) Hitler proclama que em caso de guerra "a raça judaica será exterminada na Europa". Em 15 de março de 1939, o exército alemão ocupa a "Czechoslovakia" sem oposição de nenhuma nação. Em 23 de agosto a Alemanha nazista assina um pacto de não agressão com a União Soviética (Rússia comunista). Em 1o de setembro a Alemanha invade a Polônia, e começa a Segunda Guerra Mundial. Começa a perseguição e extermínio dos judeus na Polônia. A Polônia é dividida. Uma parte até o Rio Warta que compõe várias províncias polonesas é anexada ao Terceiro Reich, Alemanha. A outra parte é declarada governo polonês, governado pelo conhecido carrasco nazista Hans Frank.

No final de 1939, começam a ser estabelecidos os primeiros guetos. Estão sendo levados aos guetos na Polônia judeus da Áustria e Morávia (Tchecoeslováquia). No governo geral, Hans Frank, governador (líder) do governo geral da Polônia ocupada, cria os primeiros Judenrat (conselhos de judeus) em cada cidade. Estes conselhos eram responsáveis pela comunidade judaica (judeus) em cada lugar de ocupação alemã.

Na Idade Média, foram criados dentro das cidades lugares destinados a moradia dos judeus. Judeus na época eram considerados propriedade dos bispos, príncipes e reis. Era proibido judeus morarem misturados com cristãos. Com o fim da Idade Média, acabaram também os guetos. Com o avanço do nazismo, os guetos foram novamente restaurados. As principais cidades escolhidas para construir guetos eram as maiores da Polônia como Varsóvia, Lodz, Cracóvia, Lvov, Lublin e Radon, todas elas com grande população judaica. Uma vez judeus concentrados, os guetos ficaram hermeticamente fechados. Em 1o de maio foi criado o primeiro gueto no século XX, na cidade de Lodz. Em outubro do mesmo ano, Varsóvia. Em março de 1941, Cracóvia. Lublin e Radon, em abril. Lvov, em dezembro. Em seguida, foi a vez de Vilno, Czestochowa, Kovno e outros. No final de 1941, o processo foi quase completo. Os métodos essencialmente eram sempres os mesmos. Na concepção dos alemães, os guetos não foram criados com intuito de permanência, mas sim passageiro. O chefe nazista Friedrich Uebelhor, descreveu desta maneira os guetos: a criação deles com certeza é uma medida transitória. Eu determinarei em que tempo, inclusive a cidade de Lodz, será livre de judeus. A final das contas, de qualquer maneira temos que queimar esta praga bubônica.

Também em outros países, sob influência alemã, foram criados guetos, como por exemplo Czernowitz onde foram postos 50 mil judeus. No gueto de Varsóvia, o maior deles, foram postas 500 mil pessoas. Na cidade de Lodz, num espaço onde cabia de 20 a 30 mil pessoas, foram postos 160 mil. E também assim foi nas outras cidades. Logo começaram graçar doenças, sujeira e mortes. O que mais se fala, as vidas, era fome. Praticamente não havia comida. No primeiro mês o gueto de Lodz havia em volta de 5 mil mortos. Os cadáveres na maior parte das vezes eram levados para a rua para serem recolhidos por um grupo denominado comando dos mortos, criado pela Judenrart. Os mortos eram postos numa vala comum e cobertos com cal virgem (depoimento do sobrevivente do gueto, Sr. Aleksander Laks). Os alemães ordenaram a Judenrart a construir fábricas e oficinas onde os judeus (teriam) trabalhavam em troca de ração de 200 calorias por dia. Para viver um ser humano necessita de 2400 calorias diárias. Isto os alemães recebiam. Os poloneses recebiam 1200 calorias diárias. Porém, eram livres e podiam comprar dos agricultores para completar a ração. Os judeus que estavam confinados e presos nos guetos recebiam 200 calorias. É provável que com esta dieta de 200 calorias uma pessoa consiga viver no máximo 8 meses. "Eu vivi com esta dieta 5 anos e meio", diz o Sr. A. Laks.

Nos guetos era proibido às mulheres engravidarem. Também foram tirados dos guetos crianças até doze anos, idosos, doentes e pessoas magras. Em contrapartida, depois de cada deportação foram trazidos judeus, de outras partes do mundo, para os guetos já existentes. A vida nos guetos era de grande promiscuidade e incerteza. Os alemães davam sempre esperanças de sobrevivência aos infelizes moradores do gueto. As deportações eram sempre feitas da maneira mais brutal possível.

Em 9 de abril de 1940 deu-se a invasão alemã à Dinamarca e a Noruega. Do dia 10 a 18 de maio, ocorreu a invasão germânica a Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França. A Holanda e a Bélgica rendem-se. No dia 18 de maio, abre o campo de concentração Aushwitz, que em seguida, converte-se em campo de extermínio. Desde junho, a Itália entra na guerra ao lado da Alemanha. Em 22 de junho, a França capitula. Em setembro, dia 27, o Japão se junta à Alemanha e à Itália, criando a chamada Força de Eixo. Em seguida, juntam-se a Hungria, Romenia e Eslováquia. Em 15 de dezembro, Emmanuel Ringelblum começa a escrever artigos secretos sobre vida no gueto de Varsóvia.

Em 22 de fevereiro de 1941, foi realizada a deportação de judeus e holandeses ao Campo de Concentração de Mauthausen; os trabalhadores holandeses em solidariedade aos judeus entram em greve. Em 22 de junho, a Alemanha nazista invade a União Soviética comunista. Os massacres em massa começam na Europa Oriental. Em 31 de julho, Goering nomeia Heydrich para executar o plano de "Solução Final". Este plano consiste em exterminação completa dos judeus na Europa. Em 14 de outubro, judeus alemães são deportados para Lodz, Polônia. É o começo da deportação generalizada do Terceiro Reich. Em 7 de dezembro, ocorre o ataque japonês a Pearl Harbor. Os Estados Unidos entram em guerra ao lado dos aliados (Grã Bretanha e União Soviética) na guerra contra o eixo. Um dia depois entra em funcionamento o primeiro campo de extermínio na História da Humanidade, chamado "Chelmno", em alemão Kulmhof. Partizans judeus começam as operações na área de Minsk

Em 15 de janeiro de 1942, começa o transporte de judeus da cidade de Lodz para campos de extermínio de Chelmno. No dia 20, acontece a assim chamada Conferência de Wannsee. O plano nazista do extermínio dos judeus na Europa. Dia 21 a Organização Unificada de Partizans do gueto de Vilna é criada. Começa a crescer a resistência através da Europa Oriental. Em 1o de junho, começa a funcionar o campo de extermínio de Treblinka. Nesse período, os judeus da Holanda e França, ocupadas pelos alemães, são obrigados a usar uma estrela amarela. Em 22 de julho, judeus oferecem uma resistência armada durante a liquidação do gueto de Nieswiez. Ações similares acontecem em outros guetos. Dia 28 é criado no gueto de Varsóvia a Organização Judaica de Luta, em polonês JOB. Dia 4 de outubro, todos os judeus presos nos campos de concentração na Alemanha são mandados para Auschwitz.

Em 18 de janeiro de 1943, durante 4 dias, a Organização de Resistência Judaica resiste aos alemães. Acontecem escaramuças nas ruas do gueto de Varsóvia. Em 2 de fevereiro, o sexto exército alemão capitula em Stalingrado. Começa a revirada da guerra. No mesmo dia, começa o reforço de transportes para campos de extermínio na Europa ocupada pelos nazistas. Dia 13 de março, novos crematórios começam a funcionar em Aushwitz. Em 19 de abril, começa o levante do gueto de Varsóvia. Treze de junho, é ordenada a deportação dos judeus dos guetos da Polônia e União Soviética. Em 11 de agosto, ocorre o levante do gueto de Bialistok. Acontece também a revolta no campo de extermínio de Treblinka. Em 1o de outubro, é ordenada a expulsão dos judeus da Dinamarca. A resistência dinamarquesa salva 7 mil judeus, transferindo-os para a Suécia. Assim mesmo, 475 são capturados pelos alemães. Dia 14, ocorre o levante do campo de extermínio de Sobibor. No dia 20, é constituída, pelas Nações Unidas, a comissão sobre os crimes de guerra.

Dia 6 de junho de 1944, as forças aliadas invadem a Normândia, na França, e começa a libertação da Europa. Em 24 de junho, as tropas russas libertam o campo de extermínio de Majdanek (Maidanek, Polônia). Dia 6 de agosto, começa a marcha de morte. Dia 23, é a última sessão de asfixia pelo gás em Aushwitz. Dia 26, Himmler ordena a destruição dos crematórios em Aushwitz para esconder evidências do campo de extermínio.

Dia 11 de janeiro, as tropas Russas libertam Varsóvia, onde não encontram mais judeus. Entre 17 e 26 de janeiro, as tropas soviéticas libertam 80 mil judeus em Budapeste; tomam Aushwitz, onde encontram um milhar de sobreviventes. Entre 11 e 28 de abril, as tropas americanas libertam Buchenwald e Dachau. As tropas britânicas libertam o campo Bergen-Belsen. Tropas soviéticas chegam perto de Berlim. Os nazistas evacuam prisioneiros de Sachsenhausen e Ravensbruck. A SS perpetra o último massacre aos judeus. Dia 30, Hitler suicida-se. Dia 2 de maio, Berlim capitula. Em 8 de maio, ocorre o fim da guerra.

QUARTA-FEIRA, 28 DE MARÇO DE 2007
Opnião de Guerra entre Israel e Palestinos

O conflito entre israelenses e palestinos - um pesadelo sem fim?*


A interminável seqüência de ataques suicidas palestinos, seguidos de retaliações pesadas das forças armadas israelenses confere ao conflito dimensões que ultrapassam a disputa pelo território da antiga “terra prometida”. O número de vítimas inocentes e as perdas causadas pela ocupação recorrente das cidades palestinas acirram ainda mais os ânimos belicosos que fortalecem os grupos extremistas dos dois lados e, assim, afastam cada vez mais as perspectivas de um acordo justo e negociado.

Pelos meandros tortuosos da mente e do comportamento dos principais atores envolvidos no conflito, a situação se deteriorou a tal ponto que está para exigir um esforço concertado da comunidade internacional no sentido de colocar um paradeiro à matança e obrigar os dois lados a sentar, novamente, à mesa de negociações para dialogar até a superação dos impasses atuais.

Observadores e analistas do conflito se confundem no cipoal das argumentações e justificações dos respectivos porta-vozes. Os palestinos justificam os ataques suicidas como respostas necessárias aos assassinatos seletivos de lideranças do Hamas e Jihad Islâmico pelo exército de Israel. Cada ataque provoca retaliações inviabilizando as frágeis tentativas de entendimento dos representantes dos governos.

Como acontece quando os sentimentos de ódio e de vingança conseguem calar a voz da razão, particularmente na cultura do Oriente Médio onde a injunção “olho por olho, dente por dente” ainda é profundamente arraigada, cada novo incidente parece afastar ainda mais as chances de um acordo. Os dois contendedores perdem de vista os fins, ou seja, o convívio pacífico de dois estados, com fronteiras seguras e garantidas pela Organização das Nações Unidas. Isto pressupõe a criação de um estado palestino ao lado do estado de Israel, plenamente reconhecido pelos palestinos e outros países árabes, como único caminho para restabelecer a paz e a segurança na região, para que suas populações sofridas possam finalmente trabalhar, produzir e (re)construir um convívio humano de cooperação, respeito mútuo e de solidariedade.

Indubitavelmente, a imensa maioria dos dois povos condena a violência e aspira viver em paz, uma mensagem que finalmente parece ter chegado ao primeiro ministro palestino, Ahmed Koreij e ao israelense, Ariel Sharon, neste início de novembro de 2003, quando até o chefe do estado maior das forças armadas de Israel, Moshe Yaalon, exigiu de público uma atitude mais positiva do governo quanto aos possíveis entendimentos com a liderança palestina. Como ponto de partida, conviria admitir que nenhum dos dois lados consegue um controle total sobre seus respectivos extremistas e, portanto, uma vez iniciadas as negociações, estas deveriam prosseguir mesmo com incidentes e reações por parte de extremistas no sentido de criar obstáculos ao processo de paz.

Para uma melhor compreensão da dinâmica do conflito e de suas origens não basta analisar e discutir os argumentos míopes e cartesianos apresentados por certas lideranças políticas e a mídia dos dois lados.

A oposição dos palestinos ao estabelecimento de colônias agrícolas coletivistas na Terra Santa data desde o início do século XX e prosseguiu esporadicamente, acompanhada de lutas armadas, nas décadas de vinte e trinta, até a criação do estado de Israel, em 1948, pela resolução das Nações Unidas. Foi proposta a partilha do território de 27.000 quilômetros quadrados, até então sob mandato britânico, em dois estados. A rejeição da proposta pelos estados árabes vizinhos e a invasão do país pelas tropas do Egito, Síria, Iraque, Jordânia levou à primeira guerra contra o estado judeu que terminou com um armistício em 1949, mas sem um tratado de paz. A seqüência de enfrentamentos militares em 1956, 1967 e 1973, entremeados por várias Intifadas e a invasão do Líbano, em 1982 ceifou inúmeras vítimas dos dois lados.

Importa ressaltar o papel dúbio e as políticas contraditórias dos países árabes na luta dos palestinos. Instigando a liderança palestina a recusar qualquer acordo através de negociações, forneceram armas em profusão, sem contudo estimular e financiar o desenvolvimento do território ocupado pela população palestina, na margem ocidental do rio Jordão. Pior ainda, em setembro de 1970, as tropas jordanianas massacraram 20.000 palestinos e, em 1982, provavelmente com a conivência das tropas israelenses, as milícias libanesas cometeram o massacre de Sabra e Chatila, nos subúrbios de Beirute. Nem os acordos e conseqüentes tratados de paz com o Egito de Anwar Sadat e o reino Hashemita de Hussein foram suficientes para influenciar os outros países, mais belicosos e radicais, a tentar uma aproximação com o estado de Israel.

Sucessivas tentativas de trazer os dois litigantes à mesa de negociações – Camp David, Oslo, Wye Plantation – sob o patrocínio dos Estados Unidos, fracassaram, dando início a um novo ciclo de violências. Quando todas as aparências indicaram que um acordo estava ao alcance nas negociações entre Ehud Barak e Yasser Arafat, este endureceu sua posição e rejeitou a proposta israelense que, segundo os observadores internacionais, teria sido um ponto de partida favorável para o encerramento das hostilidades e os primeiros passos para uma longa trajetória de negociações e ajustes. A intransigência dos palestinos, além de causar a demissão de Barak, levou a maioria da opinião pública israelense a apoiar Ariel Sharon e suas políticas agressivas, inclusive a expansão dos assentamentos de colonos judeus nos territórios do futuro estado palestino.

Como interpretar essa política radical e contraditória dos países árabes e islâmicos em relação ao conflito palestino–israelense? Tratam-se de sociedades semifeudais e autocráticas que reprimem quaisquer movimentos populares que busquem a emancipação e a construção de democracias regidas pela Carta das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos. Com exceção do Líbano, são sociedades dominadas por governantes que exercem o poder de forma absolutista, sem as garantias mínimas de liberdade de opinião, de organização sindical ou política e dos direitos de mulheres e de minorias. Para esses governantes, o movimento de libertação da Palestina é vislumbrado como uma ameaça aos seus regimes autoritários, porque um estado democrático e secularizado na Palestina constituiria o fermento para a conscientização e a resistência à opressão política, mal disfarçada pela doutrina religiosa da Sharia – a lei do Corão. Desgraçadamente, as sucessivas lideranças israelenses ignoraram esse aspecto da luta pela libertação nacional, ainda que tardia, dos palestinos e procuraram acordos com os reis e sultões absolutistas, dos Marrocos, da Jordânia e dos emirados do Golfo Pérsico.

É mais uma ironia da História que os judeus, que só tardiamente conseguiram seu estado nacional, tentem resistir às aspirações legítimas dos palestinos de construir seu estado. No mar de absolutismo e de intolerância do Oriente Médio e da maioria dos países islâmicos, um futuro estado palestino, democrático e secularizado, será um fator de efervescência e de estimulo a transformações sociais e culturais inevitáveis em nossa era de globalização.

Para o avanço das negociações, a participação ativa da sociedade civil dos dois lados é absolutamente indispensável, para conter os extremistas e pressionar os governantes de manter abertos os canais de negociação.

A presença de mais de 100.000 israelenses na comemoração do aniversário da morte de Rabin, assassinado por um fanático religioso, é eloqüente a respeito do desejo da população israelense por paz e segurança. Também, o manifesto de mais de 300 acadêmicos e intelectuais, lançado em outubro p.p., conclamou o governo Sharon a adotar medidas mais positivas, em vez de protelar a adoção do road map, reivindicação essa reforçada pelo pronunciamento do chefe do estado maior do exército de Israel, o general Yaalon. Seria de fundamental importância que houvesse manifestações semelhantes do lado palestino, onde as manifestações a favor da paz e de negociações ficaram restritas, até agora, a poucos pronunciamentos de intelectuais, como o recém falecido Edward Said.

Aos pessimistas devemos apontar os exemplos da História contemporânea de pacificações após anos de conflitos sangrentos, tais como a da Irlanda do Norte, do Sri Lanka e, sobretudo, do conflito secular entre França e Alemanha que, depois de três guerras (1870-71, 1914–18 e 1939–45) responsáveis por milhões de vítimas, chegou a uma solução pacífica resultando na criação da União Européia.

O mundo caminha, apesar de resistências e obstáculos, em direção a uma integração cada vez mais estreita de povos, em que o estado nacional, as fronteiras geográficas e as mentalidades xenófobas perdem gradualmente peso e importância. Apesar do desenvolvimento cultural e político assincrônico das nações, particularmente do Terceiro Mundo, não pode haver dúvida quanto à necessidade inadiável de cooperação em todas as esferas de vida social para assegurar a sobrevivência da humanidade.

A criação de um estado palestino, democrático e secularizado, tenderá a acelerar as transformações culturais e políticas no Oriente Médio, atuando ao mesmo tempo como freio ao consumo de desperdício e a corrida armamentista irracional, que consomem a maior parte dos lucros auferidos com a extração e venda de petróleo. A violência das armas pode resultar em ganhos transitórios, mas o ódio e o desejo de vingança pelos mortos e destruições perduram por gerações.

O exemplo das sociedades ocidentais é rico em ensinamentos a respeito da evolução lenta, mas irresistível, da História. Trezentos anos atrás, a Europa apresentou um quadro de guerras intermináveis entre reis e príncipes feudais cujas riquezas e poderio estavam baseados na exploração impiedosa de seus servos e, em alguns casos (os países ibéricos, a Holanda, França, Inglaterra), na espoliação e extermínio em massa das populações indígenas na América Latina, na Ásia e na África, cujos habitantes foram caçados, algemados e transportados para servirem de escravos nas colônias. Ironia da História, as riquezas produzidas pela mão de obra escrava permitiram à burguesia comercial em ascensão a reivindicar e conquistar do estado absolutista os direitos civis, a liberdade e a igualdade perante a Lei.

Visto sob esta perspectiva, o conflito entre palestinos e israelenses deve ser reconduzido à mesa de negociações. A superioridade de armas pode vencer batalhas, mas não garante o desfecho de uma guerra cujo objetivo só pode ser a paz e o convívio pacífico de todos num mundo em que a diversidade cultural e a estrita observância dos direitos humanos prevalecerão como princípios máximos a regerem as relações entre países e povos. Para isto, deve-se cessar a demonização mútua e mostrar disposição de negociar sem estabelecer condições prévias do tipo sine qua non.

Na mesa das negociações, serão devidamente equacionados e encaminhados os problemas que atualmente impedem um princípio de acordo entre os litigantes. A criação de um estado palestino mediante delimitação das fronteiras sob a supervisão das Nações Unidas, será acompanhada de um explícito reconhecimento do estado de Israel pelos palestinos e por todos os países árabes. Na discussão do problema dos refugiados palestinos e seu direito ao “retorno”, além de considerar o caso de centenas de milhares de judeus expulsos dos países árabes após 1948, deverá ser explicitado que esse retorno se refere ao futuro estado da Palestina e não ao estado de Israel.

Os assentamentos de colonos israelenses nos territórios da Cisjordânia e da faixa de Gaza terão de ser desativados, compensando-se os colonos pelos investimentos realizados e oferecendo-lhes oportunidades de novos assentamentos nos territórios de Israel.

Finalmente, quanto ao status de Jerusalém, reivindicada como capital pelos palestinos e por Israel. Sua soberania será dividida e compartilhada, como de fato já ocorre em função de fatores demográficos e religiosos, resguardados os direitos de outras denominações religiosas de acesso aos seus lugares sagrados. Esta seria uma solução aceitável para os dois lados, representando um primeiro passo de transição para os dias anunciados na profecia de Isaias: ”... é será nos últimos dias, quando os povos não mais guerrearão e transformarão suas espadas em arados...”, refletindo, também, a visão espiritual expressa nas rezas dos judeus – “... pois minha casa será o templo de orações para todos os povos...”.

* Texto elaborado com base em apontamentos para a participação do autor no programa Roda Viva da TV Cultura, gravado em 4/11 e levado ao ar em 17/11. Outros textos do autor: www.abdl.org.br/rattner/inicio.htm
Postado por Holocausto Nunca Mais às 07:46 0 comentários
Negócios História
Lembram-se da Uzi? Foi aposentada
Por: Ariel Finguerman, de Hertzlia

Discretamente, porque é assim que funciona esse negócio, Israel transformou-se em 2003 em um dos maiores exportadores mundiais de armamentos. Segundo a revista norte-americana Defense News, o Estado judeu é hoje o terceiro maior comerciante mundial de armas – atrás apenas dos Estados Unidos e Rússia. Esta marca impressionante é resultado de vendas milionárias recentes a dois países até há pouco tempo hostis ao

Estado judeu:

Turquia e Índia

Existem hoje cerca de duzentas empresas de armas em Israel, mas apenas cinco controlam 90% das vendas para o mercado exterior. Visitei recentemente uma das maiores indústrias de armas do país, a IMI (Israel Military Industries), uma gigantesca estatal com fábricas espalhadas por todo o país e quatro mil funcionários. Talvez o leitor não conheça a IMI, mas certamente já ouviu falar de alguns de seus produtos, como a submetralhadora Uzi ou o míssil Arrow.

A visita foi ao superprotegido complexo da IMI próximo de Hertzlia, a vinte minutos de Tel Aviv. Aqui nenhum jornalista está autorizado a tirar fotos e o visitante nunca fica sozinho. Há sempre um funcionário por perto, ao mesmo tempo prestativo e vigilante. Como este conjunto está localizado numa área bem povoada de Israel, casas e edifícios civis rodeiam toda a planta, mas cercas elétricas e arames farpados marcam bem a divisão.

Durante nosso trajeto pela imensa fábrica, vi tanques turcos M-60 que Israel repotencializa e cujo desempenho é melhorado ao custo total de US$ 700 milhões. Este contrato, que causou inveja aos concorrentes americanos e europeus, foi o responsável por colocar Israel no topo dos países comerciantes de armas, além de consolidar ainda mais a estratégica aliança militar com a Turquia. Os tanques turcos ficam num imenso galpão, por onde passamos de carro. Perto dali, em um escritório onde trabalham funcionários turcos e israelenses, tremulam as bandeiras de Israel e da Turquia.

O diretor do setor de desenvolvimento de armas leves da IMI, Zalman Shebs, esperava a reportagem da revista Hebraica em sua sala de visitas decorada com dezenas de pistolas, fuzis e metralhadoras. O departamento é responsável, entre outras coisas, pela criação da famosa submetralhadora Uzi. Ele mostra uma foto do atentado contra o presidente Ronald Reagan em 1981 e aponta, orgulhoso, um dos guarda-costas armado com uma Uzi.

A famosa submetralhadora se tornou sinônimo do êxito israelense no setor de armas, mas hoje representa pouco para o orçamento da IMI. "A Uzi continua sendo um produto confiável, mas sua venda é pequena. Até paramos de fabricar sua versão standard", diz Shebs. Em compensação, com o passar dos anos se formou uma verdadeira "família" de Uzi’s, com diferentes versões e tamanhos para as mais variadas situações. A versão mais requisitada é a micro-Uzi, usada por guarda-costas e policiais de unidades especiais.

Se no passado os fabricantes da Uzi se preocupavam em mirar contra terroristas e criminosos, na atual economia globalizada os inimigos são outros. "Hoje existem várias imitações ilegais da Uzi circulando pelo mundo e é difícil acabar com elas", diz Schebs. Quando pergunto como a submetralhadora israelense chega às favelas brasileiras, onde costuma ser a "queridinha" dos traficantes de drogas, Shebs responde que algumas delas devem ser versões piratas. Outras, acredita, devem ter sido contrabandeadas ou roubadas. Ele ressalta que a IMI não tem o total controle da produção da Uzi pois muitas são fabricadas sob licença na Bélgica e Croácia e, portanto, a fábrica israelense só pode se responsabilizar pelas armas que saem das dependências de Hertzlia. "Além do mais, todas as nossas vendas são controladas pelo governo", diz.


Tavor, o rifle

Atualmente, Shebs tem pouco tempo a perder com a Uzi e suas preocupações estão voltadas para o novíssimo rifle de assalto Tavor, projetado pela IMI para competir em um dos mercados mais importantes da indústria de armamentos. O nome homenageia o Monte Tavor, da Galileia, onde segundo a Bíblia as forças lideradas pelo comandante israelita Barak e pela profetisa Débora derrotaram o inimigo canaanita liderado pelo comandante Sisera, no tempo dos Juízes (shoftim).

Em novembro passado, o exército norte-americano anunciou que o seu rifle de assalto M-16, usado por todo soldado de infantaria dos EUA – e de Israel também – está com os dias contados. Popular desde a Guerra do Vietnã, o M-16 revelou toda sua ineficiência na Guerra do Iraque. Centenas de soldados reclamaram que o rifle "engasgou" com a areia do deserto, falhando quando mais precisavam dele. O M-16 também demostrou ser grande demais, um verdadeiro trambolho, para os pequenos e ágeis veículos blindados – o meio mais usado nos últimos meses para o transporte de tropas no Iraque.

A notícia da aposentadoria do M-16 agitou a indústria de armamentos, incluindo, é claro, a israelense. A IMI tem planos grandiosos para o Tavor. "Existem boas chances de fornecer para o exército norte-americano e para a Otan, mas será um longo processo", diz Shebs. Por enquanto, alguns milhares do Tavor já foram vendidos para os exércitos da Índia e de Israel. Engana-se quem pensa que o exército israelense comprou o Tavor só porque foi produzido no país. "Eles são rígidos na escolha e bastante profissionais. Ele nos dão preferência, mas se constatarem que o rifle de um país concorrente é melhor, comprarão do exterior. E eles estão certos ao fazer isto", diz Shebs.

Ao empunhá-lo, senti que o Tavor é uma arma leve (2,8 quilos contra 3,4 quilos do M-16). O fabricante o apresenta como "o menor e mais leve rifle de assalto do mundo" e suas características tecnológicas são de última geração. O soldado não precisa mais fechar um olho para usar a mira. Se preferir, nem precisa usar a mira: basta acionar um feixe de laser para localizar o alvo e atirar mesmo com a arma na altura da cintura.

Esta tecnologia foi totalmente desenvolvida em Israel a partir da experiência acumulada desde a Guerra do Líbano. Diz Shebs: "A maior parte dos combates mundiais não acontecem mais em campos abertos com tanques. As batalhas hoje são urbanas, sejam no Afeganistão, no Iraque ou nos territórios palestinos. Há muitos anos enfrentamos o que os EUA encaram somente agora. Desenvolvemos o Tavor para o soldado que precisa lutar até dentro de um quarto e que necessita reagir rapidamente."

A próxima "batalha" da IMI já tem até local marcado: Lisboa. O exército português acaba de abrir concorrência internacional para comprar cerca de 45 mil rifles de assalto, negócio avaliado em US$ 45 milhões. Entre os concorrentes, a Tavor "lutará" contra o M-4, a nova versão norte-americana do M-16. Se vencer esta verdadeira guerra, a indústria militar israelense se estabelecerá ainda com maior força entre os gigantes do mercado de armas.

Israel foi hábil em transformar em negócio lucrativo sua necessidade permanente de estar sempre atualizado com os mais novos armamentos. O sucesso do país no mercado de armamentos poderia ser motivo para comemoração, mas não entusiasma o criador da Tavor. "Mesmo com todo este sucesso, ainda gostaria que Israel não tivesse de se envolver com armas. Preferia ver o país campeão, por exemplo, em computadores", diz Shebs.

OS NÚMEROS DA INDÚSTRIA MILITAR ISRAELENSE

Israel é o 3º maior exportador de armamentos do mundo. Em 2002, o país vendeu armas no valor de US$ 4,1 bilhões, num total de

US$ 30 bilhões de exportações.

Isto é, mais de 10%

Um ano antes, a exportação de armas era de apenas US$ 2,6 bilhões.

Os Estados Unidos são os maiores exportadores de armas do mundo, com US$ 13,2 bilhões de vendas, seguidos da Rússia, com US$ 4,4 bilhões. Faltam, portanto, pouco mais de US$ 300 milhões para Israel suplantar a Rússia

A Índia é o maior cliente dos fabricantes de aviões israelenses. É para lá que vão 50% das exportações

A UZI, em letra e música

É verdade que a submetralhadora Uzi, deixou de ser fabricada em sua versão standard, mas ela já faz parte do imaginário popular ao redor do mundo. Como a menção explícita a ela em letras de músicas brasileiras e norte-americana.

"A novidade cultural da garotada favelada, suburbana, classe média marginal é informática metralha sub-Uzi equipadinha com cartucho musical de batucada digital"
("Rio 40 Graus", de Fernanda Abreu)


"Menos de 5% dos caras do local são dedicados a alguma atividade marginal e impressionam quando aparecem nos jornais tapando a cara com trapos com uma Uzi na mão parecendo árabes do caos"
("Hey Joe", de O Rappa)


"Então quem está trazendo as armas para dentro deste país? Eu não conseguiria passar com uma pistola de brinquedo pela alfândega de Londres E na semana passada eu vi um filme de Schwarzenegger No qual ele atira contra todo tipo de cara com uma Uzi Eu vejo três moleques, sentados na primeira fileira, Gritando: ‘É isso aí!’"
("Who Knew", de Eminem)



* Matéria Extraída da Revista "A HEBRAICA"
Postado por Holocausto Nunca Mais às 07:44 0 comentários
EUA impedem que Israel venda tecnologia bélica para a Venezuela
Defesanet 23 Outubro 2005
Reuters - AFP 20 / 21 Outubro 2005
EUA impedem que Israel venda tecnologia
bélica para a Venezuela

JERUSALÉM (Reuters) - 20 Outubro - Os Estados Unidos impediram a venda de tecnologia israelense para que a Venezuela modernizasse seus caças, disse a TV de Israel na quinta-feira.

Essa é a última de uma série de medidas semelhantes adotadas pelo governo norte-americano em relação ao Estado judaico.

O Ministério de Defesa israelense não se manifestou sobre o assunto.

O equipamento deveria ser instalado em vários caças F-16, de fabricação norte-americana usados também na Venezuela. O atual presidente do país sul-americano, Hugo Chávez, é um aliado do governo cubano e crítico contumaz do presidente dos EUA, George W. Bush.

A reportagem da TV israelense não citou o valor da venda e nem qual equipamento estaria envolvido no negócio.

Israel e os EUA, que dão anualmente ao Estado judaico 2 bilhões de dólares em ajuda militar, fizeram um acordo em agosto para colocar fim aos desentendimentos em torno da exportação de aviões-robô para a China. Não foram divulgados detalhes sobre o acordo.

Washington também está considerando bloquear a transferência de tecnologia norte-americana usada em aeronaves que a Espanha pretende vender à Venezuela, disse o jornal ABC da Espanha no sábado.


EUA obrigam Israel a congelar contrato de venda de armas com a Venezuela


France Presse, em Jerusalém - 21 Outubro -Os Estados Unidos obrigaram Israel a congelar um contrato com a Venezuela para modernizar os aviões de combate F-16 do país sul-americano, informaram fontes do Ministério israelense da Defesa nesta sexta-feira.

Segundo a rádio pública israelense, o governo de Israel cedeu às pressões dos Estados Unidos "para não irritar" o governo americano mais uma vez, depois da questão da venda de armas para a China.

O ministério confirmou em um comunicado que "conforme os acordos entre os dois países sobre armas de fabricação americana, Israel teve que pedir a autorização do governo dos Estados Unidos para o contrato".

"Há contatos em curso entre os dois países", afirma o comunicado, sem apresentar mais detalhes. Porém, outras fontes confirmaram a oposição dos EUA ao contrato, o que pode provocar sua anulação.

Autoridades da indústria militar israelense, citadas pela imprensa, não esconderam o descontentamento com as pressões americanas e deram a entender que os EUA impõem obstáculos a contratos de armas israelenses para afastar a concorrência, alegando como pretexto motivos políticos.

No entanto, autoridades políticas negaram qualquer crise com o governo americano sobre este assunto, destacando que Israel havia tomado a iniciativa de solicitar a aprovação dos Estados Unidos.

O ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, deve visitar os Estados Unidos em meados de novembro próximo.

A suspensão momentânea do contrato de renovação de 22 aviões de combate por um valor de US$ 100 milhões pode provocar o rompimento do acordo, pois o governo da Venezuela diz não estar "disposto a esperar" a autorização americana.
EUA se negam a comentar sobre contrato congelado entre Israel e Venezuela

EUA se negam a comentar sobre contrato
congelado entre Israel e Venezuela

WASHINGTON, 21 Out (AFP) - O Departamento de Estado se negou nesta sexta-feira a fazer comentários sobre a decisão de Israel de congelar um importante contrato com a Venezuela para modernizar os aviões de combate F16, aparentemente sob pressão dos Estados Unidos.

"Obviamente, temos um diálogo contínuo com nossos amigos de Israel em torno de acordos sobre armas ou transferência de armas, mas não tenho nada a dizer a respeito", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Adam Ereli, ao ser perguntado sobre o congelamento do contrato entre Israel e Venezuela.

Segundo fontes do Ministério de Defesa israelense, Washington obrigou Israel a congelar um importante contrato com a Venezuela para modernizar os aviões de combate F16, de fabricação americana.

A suspensão momentânea do contrato de renovação de 22 aviões de combate no valor de 100 millones de dólares ameaça provocar uma anulação, pois Caracas não está disposta a esperar a autorização americana, segundo as fontes.
Postado por Holocausto Nunca Mais às 07:41 0 comentários
A Morte dos Ditadores

A última foto: curvado e abatido, Hitler, à beira da morte, inspeciona danos na chancelaria


No crepúsculo da batalha na Europa, a morte chega para os bandidos alemães e italianos - Tedescos unem-se na covardia, cometendo suicídio - Mussolini é assassinado por guerrilheiros e tem seu cadáver exposto em praça pública



Como Eva Braun estivesse sem apetite, Adolf Hitler almoçou apenas com seus dois secretários e o cozinheiro. Às 15h30, ao final da refeição, o líder do Reich levantou-se da cadeira e retirou-se para o quarto ao lado da ex-amante - com quem, 36 horas antes, finalmente se unira em matrimônio. No caminho para a câmara privativa, Josef Goebbels e alguns poucos fiéis, prostrados, observavam. O casal adentrou a alcova. E o barulho da porta se fechando foi o último antes que o Führerbunker se inundasse definitivamente de silêncio depois do estampido abafado de um tiro.

Passaram-se alguns minutos até que a corte nazista entrasse no dormitório. O corpo de Adolf Hitler, auto-proclamado chefe da nação de super-homens arianos, estava afundado em um sofá, sua impecável farda marrom já escarlate pelo sangue que escorria de seu rosto. Uma bala na boca: suicídio. Dois revólveres jaziam no chão, mas apenas um havia sido disparado. Ao lado do companheiro, Eva Braun encontrava-se estirada e igualmente defunta; seu óbito, porém, resultara de uma dose de veneno.

Os cadáveres foram recolhidos pelo major da SS e valete de Hitler, Heinz Linge, que, com a ajuda de Martin Bormann, os levou para o jardim da Chancelaria. Lá, Erich Kempka, o motorista do líder, empurrou-os para uma cratera aberta pelas bombas soviéticas que caíam, àquela altura, às centenas sobre Berlim; embebidos em petróleo, foram queimados. Goebbels ergueu sua mão direita, em derradeira saudação ao chefe nazista. Era o fim da linha para o Führer.

Ainda que o artífice da mais sangrenta guerra da cristandade tenha nomeado um sucessor - o almirante Karl Dönitz - , já estava claro que o regime nazista chegara ao ocaso. O calendário marcava 30 de abril de 1945, aziaga jornada para o totalitarismo teutônico: a 400 metros do local onde as carcaças de Hitler e Eva Braun eram consumidas por labaredas, o Reichstag, símbolo do poderoso governo nazista, ardia em chamas com os petardos certeiros do Exército Vermelho.

No dia seguinte à morte do chefe, Goebbels, seu fiel escudeiro e Ministro da Propaganda, o seguia no suicídio. Três semanas depois, foi a vez de Heinrich Himmler, chefe da SS, genitor do extermínio dos judeus e responsável maior pelo terror da suástica, resolver tirar a própria vida. O Reich esfarelava-se com o apagar de seus mentores, unidos em vida pela megalomania e na morte pela mais repugnante covardia. ...

Infanticídio sêxtuplo - O trespasse de Josef Goebbels, no dia 1º de maio, foi o último ato macabro de um homem que incitou como poucos o ódio entre os povos - qualificando, entre outros, judeus e soviéticos como subraças. O diminuto tedesco reuniu no bunker de Hitler sua esposa Magda e seus seis filhos: Helga, 12 anos, Hilda, 11, Helmut, 9, Holde, 7, Hedda, 5, e Heide, 3. Separou doses letais suficientes de cianeto e aplicou-as, uma a uma, nos petizes. Em seguida, saiu da fortificação com a companheira e parou o primeiro oficial da SS que encontrou, com um pedido pouco ordinário: o senhor e a senhora Goebbels gostariam de ser alvejados com um balázio na nuca. Dito e feito.

Já Himmler - que estava para ser julgado a qualquer momento - , apelou para o suicídio como artifício para não ter de responder por seus atos diante dos tribunais internacionais. O cabeça da SS, que havia tentado em abril último um contato com os Aliados para negociar a capitulação germânica - recusado - , e depois ter se oferecido para ajudar no governo de Dönitz - igualmente renegado - , foi capturado quando tentava fugir, disfarçado, após a rendição oficial da Alemanha. Barrado por uma patrulha britânica próxima a Hamburgo, Himmler alegou ser um policial rural de graça Heinrich Hitzinger.

Durante o interrogatório, porém, acabou reconhecido e encarcerado. Enquanto era examinado por um médico britânico no Quartel-General do Segundo Exército, em Luneberg, Himmler mordeu um frasco de cianeto que escondia na boca; as tentativas dos clínicos de retirar o veneno do organismo do tedesco - bombeamento do estômago e vômitos forçados - foram infrutíferas. Extinguiu-se, assim, o último vértice do triângulo original nazista. Da nova - e natimorta - geração do governo de Dönitz, já foram presos o próprio chefe e o almirante Hans Georg von Friedeburg, que assinou a rendição em Luneburg. Este, contudo, pouco criativamente, também se envenenou após a prisão. ...

Vingança à italiana - Os finados monges alemães da guerra juntar-se-ão a um de seus mais espaçosos pares, o italiano Benito Mussolini, morto no dia 28 de abril em Dongo, próximo ao Lago de Como. Ao contrário dos teutônicos, porém, o final do Duce deu-se pelas mãos de terceiros: seus algozes foram guerrilheiros que, por um descuido da segurança do peninsular, foram brindados com uma preciosa chance de executar a sentença de morte imposta pelo governo da Bota contra Mussolini.

Escoltado pela SS, o ditador da Itália, deposto em 1943, dirigia-se para os Alpes, onde acreditava poder continuar sua luta. Entretanto, dos 3.000 seguidores do fascismo esperados, apenas doze gatos pingados compareceram ao ponto de encontro para acompanhar o antes popularíssimo capo em sua jornada. Mesmo assim, a comitiva seguiu viagem - mas, desgraçadamente para os fascistas, acabaria passando por um território dominado pela guerrilha. Os paramilitares avistaram Mussolini - vestido com uma farda alemã - e sua amante Clara Petacci; insandecidos, não demoraram em capturá-lo.

Após breve interrogatório, o guerrilheiro comunista Walter Audisio alinhou-os no portão da Villa Belmonte, em Mezzegra, e desferiu o primeiro tiro em Petacci. Com a companheira desfalecida, o Duce abriu seu casaco e clamou para ser atingido no peito. Sem demora, a metralhadora guerrilheira atendeu ao pedido e dardejou fogo contra o italiano, que foi arremessado contra o muro pelo impacto das balas. Mussolini, contudo, ainda respirava. Audisio aproximou-se e executou o líder fascista com um projétil no coração. Ainda havia mais.

Em uma espécie de vingança post mortem pelos quase 20 meses de guerra civil causada pela teimosia do ditador, os cadáveres de Mussolini e Petacci foram transportados para Milão e expostos em praça pública, pendurados de cabeça para baixo. Milhares de populares compareceram à Piazzale Loreto para externar seu ódio pelo Duce, cuspindo nos corpos ou simples e barbaramente mutilando-os. Uma mulher que preferiu manter sua identidade no anonimato atirou cinco vezes contra Mussolini. "Pelos meus cinco filhos mortos na guerra", bradou, colocando um ponto final à altura da biografia do mais pândego, dramático e teatral dos ditadores europeus.
Postado por Holocausto Nunca Mais às 07:34 0 comentários
Nossa Vitória : A Queda do III Reich




Berlim, a capital da tirania do Reich, ajoelha-se diante do Exército Vermelho em nove dias - Impotente, Alemanha rende suas forças em toda a Europa e encerra era nazista
- Principais chefes alemães estão mortos ou encarcerados
oram quase dez horas de um assalto implacável, com infantaria, divisões armadas e aéreas do Exército Vermelho corroendo cada tijolo do imponente Reichstag. Quando a nebulosa tarde berlinense de 30 de abril começava a cair, o bombardeio cessou e os homens do marechal Georgi Zhukov invadiram a sede do Reich - àquela altura, tal e qual o regime que simbolizava, já praticamente em ruínas. Lutando pela posse de corredores e salões contra uma resistência voluntariosa porém exausta, os soldados bolcheviques impuseram-se sem sobressaltos. No início da noite, com o controle total e definitivo da edificação, os sargentos M. A. Yegorov e M. V. Kontary galgaram até o topo do prédio e desfraldaram, triunfantes, a bandeira da União Soviética em uma das torres.

Tremulando nos céus de Berlim, a foice e o martelo, que ceifaram e esmagaram a defesa da capital alemã após uma inapelável campanha de apenas nove dias, prenunciavam também a iminente queda do império tedesco do mal. Humilhada e subjugada quase por completo, a orgulhosa Alemanha Nacional-Socialista ainda insistiu em resistir. Inútil. Órfã de Adolf Hitler, que saíra de cena na surdina com um providencial suicídio, a impotente Wehrmacht rendeu suas forças na Alemanha, Países Baixos e Dinamarca no último dia 4. Três dias depois, o general Alfred Jodl, do Alto Comando Germânico, assinou a rendição incondicional de todas as forças na terra, no mar e no ar que estavam até aquela data sob o controle alemão.

Sete de maio de 1945. Das ende para o Terceiro Reich, fim da brutal máquina de assassínios idealizada por Hitler mais de uma década atrás. "As Forças Armadas e o povo alemão sofreram mais do que talvez qualquer outra nação no mundo", afirmou Jodl, um dos conselheiros militares mais próximos de Hitler, numa covarde tentativa de angariar pena. "Posso apenas manifestar a esperança de que os vitoriosos os tratarão com generosidade." A capitulação foi assinada em Rheims, na França, às 2h40 da manhã, no primeiro andar do sobrado do College Moderne de Garçons, onde os petizes franceses antes disputavam concorridas partidas de tênis de mesa. A cerimônia, que determinou o cessar-fogo tanto no front soviético quanto no europeu ocidental, contou com a presença do general Suslaparov, representando a União Soviética, do general Bedell Smith, do comando Aliado de Eisenhower, e do general Sevez, da coadjuvante França.

Além de genuflexa, a Alemanha agora se encontra acéfala. O almirante Karl Dönitz, apontado por Hitler como seu sucessor e alcunhado Führer de Flensburg, foi preso em 23 de maio na própria Flensburg, ao lado de outros membros de seu comando. Heinrich Himmler, exterminador dos judeus, foi capturado por uma patrulha próximo a Hamburgo, mas cometeu suicídio enquanto era examinado por um médico britânico. Albert Speer, Ministro dos Armamentos e da Produção de Guerra, também acabou apanhado - e não fugiu à responsabilidade. O antigo confidente de Hitler foi abordado quando estava no banho, em Schloss Glucksburg, e não ofereceu resistência. "Uma boa coisa", afirmou, quando o aliado anunciou a voz de prisão. "Tudo estava sendo apenas uma encenação mesmo." ...

Capital escarlate - Marco zero do militarismo nazista - de onde Adolf Hitler iniciou sua sanguinolenta jornada em busca da hegemonia européia e mundial - Berlim, nos sonhos do Führer, seria o símbolo arquitetônico do triunfo tedesco. Por isso mesmo, sua queda era vista pelos Aliados como um golpe fundamental não só para enfraquecer as Forças Armadas Alemãs como também para solapar de vez o que restava do moral teutônico. O Exército Vermelho havia começado a campanha por Berlim em janeiro deste ano, e a primeira fase fora completada com sucesso pelos marechais soviéticos Georgi Zhukov (comandando o 1º Front Bielorrusso) e Ivan Konev (1º Front Ucraniano). Em fevereiro, ambos encontravam-se às margens do rio Oder, 57 quilômetros a Leste de Berlim.

Josef Stalin, porém, protelou o início da segunda fase do ataque, permitindo que Hitler agrupasse as sobras da 3ª Terceira Divisão Panzer e do 9º Exército sob um novo epíteto: Grupo de Exército Vistula. Enquanto não recebia a ordem do líder soviético para seguir rumo a Berlim, Konev aproveitou uma oportunidade de atacar a 4ª Divisão Panzer pelo rio Neisse, em fevereiro; exitosa, a manobra logrou criar também uma ameaça de invasão a Berlim pelo Sul. O Führer, então, determinou que a salvaguarda da cidade fosse feita em quatro círculos concêntricos de defesa. O anel mais externo ficava a 32 quilômetros do centro, enquanto o mais interno agrupava o distrito governamental e o Führerbunker, a toca do lobo nazista. E prescreveu: "A defesa de Berlim será feita até o último homem e o último disparo."

Em 31 de março, ressabiado com o avanço dos americanos e britânicos a Oeste do Reno, Stalin ordenou o reinício do ataque à Alemanha. Zhukov seria brindado com a honrosa tarefa de tomar Berlim - marchando em linha reta, sentido Leste-Oeste - , enquanto Konev, além de apoiá-lo pelo flanco esquerdo, atacaria Dresden. Já o 2º Front Bielorrusso, sob o comando do marechal Konstantin Rokossovsky, apoiaria Zhukov pelo flanco direito. As primeiras investidas do Exército Vermelho foram bravamente defendidas pelos germânicos, fazendo Stalin mudar os planos. Zhukov atacaria a cidade pelo Norte, com Konev e Rokossovsky pressionando ao Sul.

Três dos exércitos de Georgi Zhukov alcançaram o primeiro anel defensivo de Berlim entre 21 e 22 de abril; o círculo foi fechado com a chegada da armada de Konev, no dia 25. Hitler tentou chamar reforços, mas sua mais confiável guarnição, o 9º Exército, estava igualmente cercada. O Führer também apelou para o 12º Exército do general Walther Wenck, que, como força militar, existia apenas na cabeça do líder alemão: o destacamento, que incluía adolescentes da Juventude Hitlerista, nem sequer conseguiu assustar as tropas soviéticas que já dominavam o anel externo de Berlim. A cidade ficou defendida por soldados em pandarecos, refugos de batalhas anteriores, e por idosos e jovens recém-convocados.

No dia 29 de abril, o comandante da cidade, tenente-general Karl Weidling, reportou ao comando da Wehrmacht que possuía munição para apenas mais um dia de combates. Do lado de fora dos anéis, o chefe do Alto Comando das Forças Armadas, marechal-de-campo Wilhelm Keitel, informava que as tentativas de levar tropas ao socorro de Berlim não progrediam. Em 30 de abril, o Reichstag é tomado pelo Exército Vermelho. Dois dias depois, Weidling anuncia oficialmente a rendição da cidade. Acabava a batalha por Berlim. A Alemanha não aguentaria o golpe. ...

Europa livre - No momento da assinatura da rendição incondicional das forças alemãs do Ocidente, em uma tenda no pântano de Luneberg, o almirante Hans Georg von Friedeburg, emissário de Dönitz, trouxe um pedido pouco usual ao marechal Bernard Montgomery. O alemão desejava que a rendição das divisões Panzer, esmigalhadas nas batalhas contra os soviéticos, fosse feita aos britânicos, assim como a dos civis nas redondezas de Berlim - para isso, claro, o Exército Vermelho deveria permitir a passagem dos oponentes por suas linhas de combate. Montgomery rejeitou a idéia, afirmando que os soldados que lutavam contra os russos deveriam render-se aos próprios. Von Friedeburg foi às lágrimas.

Mais de 500.000 soldados se renderam, somando-se aos outros 500.000 que haviam sido tomados como prisoneiros entre 3 e 4 de maio. Cinco dias depois, Praga, a última capital européia sob o jugo nazista, foi libertada, também pelas mãos do Exército Vermelho. Os soviéticos chegaram ao auxílio dos guerrilheiros tchecos, que travavam feroz batalha contra os oficiais da SS desde o anúncio da rendição tedesca, não obedecida pelos soldados nazistas lotados na cidade. No mesmo dia 9, as Ilhas do Canal, havia cinco anos ocupadas pelos alemães, voltaram às mãos britânicas. O mácula nazista fora removida de vez do continente. De acordo com a profecia de seu arquiteto-mor, Adolf Hitler, o Reich se estenderia ao longo de 1.000 anos. Sobreviveu por pouco mais de duas décadas - tempo irrisório quando comparado à pretensão do Führer, mas suficiente para provocar chagas indeléveis na história do Velho Mundo.
Postado por Holocausto Nunca Mais às 07:26 0 comentários
Imagens Chocantes Bárbaras e Insanas-6 Milhões de Judeus Mortos Durante a 2ª Guerra Mundial pelos Nazistas de Hitler





Postado por Holocausto Nunca Mais às 06:53 1 comentários
Holocausto
A palavra holocausto (em grego antigo: ὁλόκαυστον, ὁλον [todo] + καυστον [queimado]) tem origens remotas em sacrifícios e rituais religiosos da Antigüidade em que animais (por vezes até seres humanos) eram oferecidos às divindades, nesse caso holocausto quer dizer cremação dos corpos. Este tipo de sacrifício também foi praticado por tribos judaicas, como se evidencia no Livro do Êxodo capítulo 18, versículo 12: Então, Jetro, sogro de Moisés, trouxe holocausto e sacrifícios para Deus; (...).

A partir do século XIX, a palavra holocausto começou a designar grandes catástrofes e massacres, até que após a Segunda Guerra Mundial o termo Holocausto (com inicial maiúscula) passou a ser utilizado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de pessoas mortas em nome da Paz e cujas respectivas almas, subiram aos aos céus numa enorme nuvem de fumaça, conforme ocorrência nas cidades de Hiroshima e Nagasaki amplamente divulgada na imprensa mundial pelos USA. Mais tarde, no correr do julgamento em Nuremberg, o termo foi sendo aos poucos adotado por judeus e em menor número por outros grupos considerados indesejados nos regimes nazista de Adolf Hitler. Como a maior parte dos perseguidos politicos de Hitler "que podiam reclamar" eram os judeus, os militantes não aliados como os comunistas ou os fracos como os homossexuais , marginalizados como os ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, activistas políticos, Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos e sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum foram esquecidos.

Todos estes grupos pereceram lado a lado nos campos de concentração e de extermínio, de acordo com textos e fotografias, (extensa documentação deixada pelos próprios nazistas testemunhos de sobreviventes), perpetradores e de espectadores, e com o saldo de registros estatísticos de vários países sob ocupação, o número exacto de mortes durante essa passagem é desconhecido (ver Extensão do Holocausto mais abaixo). Mas segundo alguns especialistas estima-se que o número de pessoas desaparecidas, mortas ou assassinados durante o conflito somam cerca de seis milhões de pessoas.

Atualmente, o termo foi novamente utilizado para descrever as grandes tragédias sejam elas antes ou depois da Segunda Guerra Mundial e muitas vezes a palavra holocausto é usada para qualquer extermínio de vidas humanas executado de forma deliberada e maciça, como na que resultaria de uma guerra nuclear, falando-se por vezes de "holocausto nuclear".

Shoá (השואה), também escrito da forma Shoah, Sho'ah e Shoa, que em língua iídiche (um dialeto do alemão falado por judeus ocidentais ou "asquenazitas") significaria calamidade, sendo o termo deste idioma para o Holocausto. É usado por muitos judeus e por um número crescente de cristãos devido ao desconforto teológico com o significado literal da palavra Holocausto que tem origem do grego e conotação com a prática de higienização por incineração; estes grupos acreditam que é teologicamente ofensivo sugerir que os judeus da Europa foram um sacrifício a Deus. É no entanto reconhecido que a maioria das pessoas que usam o termo Holocausto, não o fazem com essa intenção.

Similarmente, muitas pessoas ciganas usam a palavra porajmos, significando "devorar", para descrever a tentativa nazi do extermínio do grupo.

Perspectiva geral

Um aspecto de um Holocausto restrito a Alemanha que o distingue de outros assassínios colectivos foi a metodologia aplicada a grupos diferenciados. Foram feitas listas detalhadas de vítimas presentes e futuramente potenciais, encontraram-se registros meticulosos dos assassínios.

Quando os prisioneiros entravam nos campos de concentração ou de extermínio, tinham de entregar toda a propriedade pessoal aos Nazis - que era catalogada detalhadamente e etiquetada, sendo emitidos recibos. Adicionalmente, foi feito um esforço considerável ao longo do Holocausto para encontrar meios cada vez mais eficientes de matar mais pessoas, por exemplo ao mudar do envenenamento por monóxido de carbono, usado nos campos de extermínio de Belzec, Sobibór, e Treblinka para o uso de Zyklon-B em Majdanek e Auschwitz-Birkenau, na chamada Aktion Reinhard.

Ao contrário de outros genocídios que ocorreram numa área ou país específicos, o Holocausto foi levado a cabo metodicamente em virtualmente cada centímetro do território ocupado pelos nazistas, tendo os judeus e outras vítimas sido perseguidos e assassinados num espaço em que hoje existem 35 nações europeias, tendo sido enviados para campos de concentração em algumas nações e campos de extermínio noutras nações.

Além das matanças maciças, os nazistas levaram a cabo experiências médicas em prisioneiros, incluindo crianças. O Dr. Josef Mengele, um nazi dos mais amplamente conhecidos, era chamado de "Anjo da Morte" pelos prisioneiros de Auschwitz pelos seus experimentos crueis e bizarros.

Os acontecimentos nas áreas controladas pelos alemães só se tornaram conhecidos em toda a sua extensão depois do fim da Guerra. No entanto, numerosos rumores e relatos e testemunhas de fugitivos e outros, ainda durante a guerra, deram alguma indicação de que os judeus estavam a ser mortos em grande número. Houve protestos, como em 29 de Outubro de 1942 no Reino Unido, que levou figuras políticas e da Igreja a fazerem declarações públicas manifestando o horror sentido pela perseguição de judeus na Alemanha.

[editar]
Campos de concentração e de extermínio
Campos de concentração de Buchenwald. Fotografia tirada no dia da libertação do campo pelas tropas aliadas em Abril de 1945. No segundo andar do beliche, o sétimo a contar da esquerda é Elie Wiesel e no andar de cima o seu primo, o segundo (aparentemente) palitando os dentes. Todos são testemunhas

Campos de concentração para "indesejados" espalharam-se por toda a Europa, com novos campos sendo criados perto de centros de densa população "indesejada", frequentemente focando especialmente os judeus, a elite intelectual polaca, comunistas, ou ciganos. A maior parte dos campos situava-se na área de Governo Geral.

Campos de concentração para Judeus e outros "indesejados" também existiram na própria Alemanha e apesar de os campos de concentração alemães não terem sido desenhados para o extermínio sistemático - os campos de extermínio situavam-se todos no leste europeu, a maioria na Polónia - muitos prisioneiros dos campos de concentração morreram por causa das más condições ou por execução.

Alguns campos, tais como o de Auschwitz-Birkenau, combinavam trabalho escravo com o extermínio sistemático.

À chegada a estes campos, os prisioneiros eram divididos em dois grupos: aqueles que eram demasiado fracos para trabalhar eram imediatamente assassinados em câmaras de gás (que por vezes eram disfarçadas de chuveiros) e seus corpos eram queimados, enquanto que os outros eram primeiro usados como escravos em fábricas e empresas industriais localizadas nas proximidades do campo.
1944 - Documento Inédito - Flagrante do estado deplorável que se encontravam os judeus, em 1944 quando desembarcaram na estação de trens de Auschwitz, na Polónia ocupada

Os alemães também organizavam grupos de trabalho auto-sustentável entre os prisioneiros para trabalhar na reciclagem dos cadáveres e na colheita de certos elementos. Para alguns historiadores os dentes de ouro eram extraídos dos cadáveres e cabelos de mulher (raspado das cabeças das vítimas) antes de entrarem nas câmaras incineradoras. Acreditam eles que esses produtos eram reciclados da seguinte forma, se ouro eram fundidos e usados na confecção de jóias , se cabelos eram tecidos tapetes e meias e a gordura reprocessada para combustível.


Cinco campos — Belzec, Chelmno, Maly Trostenets, Sobibor, e Treblinka II — foram usados exclusivamente para o extermínio. Nestes campos, apenas um pequeno número de prisioneiros foi mantido vivo para assegurar a tarefa de desfazer-se dos cadáveres de pessoas assassinadas nas câmaras de gás.

O transporte foi frequentemente levado a cabo em condições horríficas, usando vagões ferroviários de carga, abarrotados e sem quaisquer condições sanitárias.

A organização logística envolvida no transporte ferroviário de milhões de pessoas com registros cuidadosamente catalogados e arquivados foi uma tarefa de um considerável grupo de pessoas pertencentes ao aparelho do Partido Nazista.

[editar]
JudeusHolocausto

Elementos preliminares
Política racial-Eugenia-Leis de Nuremberg-Aktion T4-Campos de concentração-Lista dos campos
Judeus na Segunda Guerra Mundial
Judeus na Alemanha Nazista

Pogroms: Kristallnacht-Iaşi-Jedwabne-Lwów-Bucharest

Gueto: Varsóvia-Łódź-Lwów-Cracóvia-Theresienstadt-Kovno

Einsatzgruppen: Babi Yar-Rumbula-Paneriai-Odessa

Solução final: Wannsee-Aktion Reinhard

Campos de extermínio nazistas: Auschwitz-Belzec-Chełmno-Majdanek-Treblinka-Sobibór-Jasenovac -Warsaw

Resistência: Judeus partisans
Levantes nos guetos judaicos (Varsóvia)

Final da Segunda Guerra: Marchas da morte-Berihah-Sh'erit ha-Pletah
Outras vítimas

Generalplan Ost-Poles-Serbs-Ciganos-Homossexuais-Testemunhas de Jeová
Responsáveis

Alemanha Nazista: Hitler-Eichmann-Heydrich-Himmler-SS-Gestapo-SA

Colaboradores

Depois da Guerra: Julgamento de Nuremberg-Desnazificação
Listas
Sobreviventes-Vítimas-Ajuda
Recursos
The Destruction of the European Jews
Fases do Holocausto


O anti-semitismo era comum na Europa dos anos 20 e 30 do século XX (apesar da história do anti-semitismo se estender ao longo de séculos). O anti-semitismo fanático de Adolf Hitler ficou bem patente no seu livro publicado em 1925, Mein Kampf, largamente ignorado quando foi publicado mas que se tornou popular na Alemanha uma vez que Hitler ascendeu ao poder.

A 1 de Abril de 1933, os nazis, recém-eleitos, organizaram, sob a direcção de Julius Streicher, um dia de boicote a todas as lojas e negócios pertencentes a judeus na Alemanha. Esta política ajudou a criar um ambiente de repetidos actos anti-semitas que iriam culminar no Holocausto. As últimas empresas pertencentes a judeus foram fechadas a 6 de Julho de 1939.

Em muitas cidades da Europa, os judeus tinham vivido concentrados em zonas determinadas. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os nazis formalizaram as fronteiras dessas áreas e restringiram os movimentos criando novos guetos aos quais os judeus ficavam confinados. Os guetos eram, com efeito, prisões nas quais muitos judeus morreram de fome e de doenças; outros foram executados pelos nazis e seus colaboradores. Campos de concentração para judeus existiram na própria Alemanha. Durante a invasão da União Soviética, mais de três mil unidades especiais de morte (Einsatzgruppen) seguiram a Wehrmacht e conduziram matanças maciças de oficiais comunistas e de população judaica que vivia no território soviético. Comunidades inteiras foram dizimadas, sendo rodeadas, roubadas de suas possessões e roupa, e alvejadas de morte nas bermas de valas comuns.

Em Dezembro de 1941, Hitler tinha finalmente decidido exterminar os judeus da Europa. Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, vários líderes Nazis discutiram os detalhes da "Solução final da questão judaica" (Endlösung der Judenfrage).

O Dr. Josef Buhler pressionou Reinhard Heydrich a dar início à Solução Final no Governo Geral. Eles começaram a deportar sistematicamente populações de judeus desde os guetos e de todos os territórios ocupados para os sete campos designados como Vernichtungslager, ou campo de extermínio: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Maly Trostenets, Sobibor e Treblinka II.

[editar]
Eslavos

Os polacos foram um dos primeiros alvos do extermínio de Hitler, como ficou sublinhado no discurso que fez a comandantes da Wehrmacht antes da invasão da Polónia em 1939.

A elite intelectual e socialmente proeminente ou pessoas poderosas foram os primeiros alvos, apesar de também ter havido assassínios em massa e instâncias de genocídio (donde se destaca Ustaše, na Croácia).

Durante a Operação Barbarossa, a invasão alemã da União Soviética, centenas de milhares (senão mesmo milhões) de prisioneiros de guerra pertencentes ao exército russo foram arbitrariamente executados nos campos pelos exércitos invasores alemães (em particular pelas famosas Waffen SS), ou foram enviados para campos de extermínio simplesmente porque eram de extração eslava. Milhares de vilas de lavradores russos foram aniquiladas pelas tropas alemãs mais ou menos pela mesma razão.

[editar]
Ciganos
Ver artigo principal: Porajmos.

A campanha de genocídio de Hitler contra os povos ciganos da Europa era vista por muitos como uma aplicação particularmente bizarra da ciência racial nazi.

Antropólogos alemães foram forçados a enfrentar o facto de os ciganos serem descendentes dos invasores arianos, que regressaram à Europa. Ironicamente, isto torna-os não menos arianos que os próprios alemães, pelo menos na prática, senão em teoria. Este dilema foi solucionado pelo Professor Hans Gunther, um conhecido cientista racial, que escreveu:
"Os ciganos retiveram na verdade alguns elementos da sua origem nórdica, mas eles descendem das classes mais baixas da população dessa região. No decurso da sua migração, eles absorveram o sangue dos povos circundantes, tornando-se assim uma mistura racial oriental, asiática-ocidental com uma adição de ascendência indiana, centro-asiática e europeia."

Como resultado, no entanto, e apesar de medidas discriminatórias, alguns grupos de ciganos de etnia Roma, incluindo as tribos alemãs dos Sinti e Lalleri, foram dispensados da deportação e morte. Os ciganos restantes sofreram muito como os Judeus (em alguns momentos foram ainda mais degradados). Na Europa de Leste, os ciganos foram deportados para os guetos judeus, abatidos pelas SS Einsatzgruppen nas sua vilas, e deportados e gaseados em Auschwitz e Treblinka.

[editar]
Outros

Homossexuais foram um outro grupo alvo durante o tempo do Holocausto. No entanto, o partido nazi não fez qualquer tentativa sistemática de exterminar todos os homossexuais; de acordo com a lei nazi, ser homossexual em si não era uma razão de prisão. Alguns membros proeminentes da liderança do partido Nazi eram conhecidos (segundo outros líderes nazis) por serem homossexuais, o que pode explicar o facto de a liderança ter mostrado sinais contraditórios sobre a forma de lidar com o tema. Alguns líderes queriam claramente o extermínio dos homossexuais; outros queriam que os deixassem em paz, enquanto que outros queriam a aplicação de leis que proibissem actos homossexuais, mas de resto permitindo aos homossexuais viver tal como os outros cidadãos.

Estimativas quanto ao número de pessoas mortas pela razão específica de serem homossexuais variam muito. A maioria das estimativas situa-se por volta dos dez mil.

Números mais elevados incluem também aqueles que eram judeus e homossexuais, ou mesmo judeus, homossexuais e comunistas. Para além disso, registros sobre as razões específicas para o internamento são inexistentes em muitas áreas. Ver Homossexuais na Alemanha Nazi para mais informação.

Cerca de duas mil testemunhas de Jeová pereceram em campos de concentração, para onde foram enviados por razões políticas e ideológicas. Eles recusaram o envolvimento na política, não diziam "Heil Hitler", e não serviam no exército alemão.

Fabiano Alves Pereira, Testemunha de Jeová e professor de História em Taiobeiras (MG) comentou: "Quando se fala de vítimas massacradas pelo regime nazista, a primeira coisa que muitos lembram é do extermínio de mais de 6 milhões de judeus (Holocausto). No entanto, existem uma série de pesquisas historiográficas que confirmam o fato de que as Testemunhas de Jeová por não jurarem lealdade ao Estado e muito menos apoiarem Hitler, foram ferozmente perseguidas e enviadas para campos de concentração. Visto serem pacifistas, mesmo hoje, não pegam em armas. Por recusarem prestar serviço militar, elas tem sido alvo de críticas por parte daqueles que as acusam de deslealdade à nação. No entanto, as Testemunhas de Jeová argumentam que a lei de Deus diz: "Não deves matar". Portanto, não empenharem em guerras demonstra sua lealdade a Deus, obediência ao que ele diz e amor ao próximo". Ver Testemunhas de Jeová e o Holocausto.

A 18 de Agosto de 1941, Adolf Hitler ordenou o fim da eutanásia sistemática dos doentes mentais e deficientes, devido a protestos na Alemanha.

[editar]
Extensão do Holocausto

O número exacto de pessoas mortas pelo regime nazi continua a ser objecto de pesquisa. Documentos liberados recentemente do segredo no Reino Unido e na União Soviética indicam que o total pode ser algo superior ao que se acreditava. No entanto, as seguintes estimativas são consideradas muito fiáveis.
5.6 – 6.1 milhões de judeus
dos quais 3.0 – 3.5 milhões de judeus polacos
2.5 – 3.5 milhões de polacos não-judeus
3.5 – 6 milhões de outros civis eslavos
2.5 – 4 milhões de prisioneiros de guerra (POW) soviéticos
1 – 1.5 milhões de dissidentes políticos
200 000 – 800 000 roma e sinti
200 000 – 300 000 deficientes
10 000 – 25 000 homossexuais
2 000 Testemunhas de Jeová

Existe alguma polêmica em relação a estes números, principalmente entre grupos anti-semitas, mas não só. A obra de Norman Filkenstein, "A Indústria do Holocausto" defende que este número de mortes em campos de concentração (notadamente na Alemanha) e de extermínio (na Polônia) tem servido para obtenção de vantagens econômicas e também políticas.

[editar]
Os triângulos

Artigo principal: Triângulos Invertidos
A segregação: Identificação imposta pelos administradores alemães aos judeus

Face a enorme migração somada as grandes distancias que separavam os campos de concentração das industrias bélicas alemãs, para efeito de identificação fora dos campos "em vez de números" , os administradores tiveram que elaborar uma solução geométrica de identificação que podia ser visualizada rápidamente. Os prisioneiros foram requeridos a usar triângulos coloridos nas suas vestes, cujas cores respondiam por seus endereços em campos "que geralmente atendiam a sua nacionalidade e preferência política etc." , essa solução, tinha por objetivo facilitar as equipes de transportes (por caminhão) identifica-los mais rapidamente no retorno diário "evidentemente após cumprirem suas missões" dos centros industriais aos campos.

Apesar das cores variarem de campo para campo, as cores mais comuns eram:
amarelo: judeus -- dois triângulos sobrepostos, para formar a Estrela de Davi, com a palavra "Jude" (judeu) inscrita; mischlings i.e., aqueles que eram considerados apenas parcialmente judeus, muitas vezes usavam apenas um triângulo amarelo.
vermelho: dissidentes políticos, incluindo comunistas
verde: criminoso comum. Criminosos de ascendência ariana recebiam freqüentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros.
púrpura (roxo): basicamente aplicava-se às Testemunhas de Jeová, que por objeção de consciência negavam-se a participar dos empenhos militares da Alemanha nazista e a renegar sua fé por assinar uma termo declarando isto.
azul: imigrantes.
castanho: ciganos roma e sinti
negro: lésbicas e "anti-sociais" (alcoólatras e indolentes)
rosa: homossexuais

[editar]
Funcionalismo versus Intencionalismo

Um tema frequente nos estudos contemporâneos sobre o Holocausto é a questão de funcionalismo versus intencionalismo. Os intencionalistas acham que o Holocausto foi planeado por Hitler desde o início. Funcionalistas defendem que o Holocausto foi iniciado em 1942 como resultado do falhanço da política nazi de deportação e das iminentes perdas militares na Rússia. Eles dizem que as fantasias de exterminação delineadas por Hitler em Mein Kampf e outra literatura nazi eram mera propaganda e não constituíam planos concretos (curiosamente esta foi também a estratégia da argumentação da defesa dos Nazis perante os julgamentos de Nuremberga).

Outra controvérsia relacionada foi iniciada recentemente pelo historiador Daniel Goldhagen, que argumenta que os alemães em geral sabiam e participaram com convicção no Holocausto, que ele acha que teve as suas raízes num anti-semitismo alemão profundamente enraizado. Goldhagen vê na Igreja cristã uma origem desse anti-semitismo. No seu livro "A Igreja Católica e o Holocausto - uma análise sobre culpa e expiação", Goldhagen reflecte sobre passagens do Novo Testamento claramente anti-semitas. Numa conferência que fez em Munique em 2003, Goldhagen colocou a seguinte questão: se em vez de frases como "pelos seus pecados os judeus têm de ser punidos", ou "os judeus desagradam a Deus e são inimigos de todos os homens" São Paulo tivesse escrito no Novo Testamento semelhantes frases sobre outro grupo qualquer, os negros por exemplo, será que não se poderia dizer que o Novo Testamento é racista ? Outros afirmam que sendo o anti-semitismo inegável na Alemanha, o extermínio foi desconhecido a muitos e teve de ser posto em prática pelo aparelho ditatorial nazi.

Goldhagen explora também o facto de milhões de alemães terem participado nas atrocidades da Guerra, afirmando depois da guerra, se acusados (o que raramente aconteceu), que eles tinham de seguir ordens para evitar represálias.

No entanto, houve alguns casos de alemães que recusaram participar nas matanças maciças e outros crimes e que não foram punidos em forma nenhuma pelos nazis. Alemães casados com judeus que optaram por se manter com o seu companheiro permaneceram não-castigados e suas esposas judias sobreviveram.

[editar]
Revisionistas e negadores
Vala comum do campo de concentração de Bergen-Belsen em Maio de 1945


Algumas pessoas que duvidam do Holocausto, são classificadas como Revisionista de Holoausto. Esses pesquisadores afirmam que muito menos de seis milhões de judeus tiveram seus últimos dias nos campos de concentração e que as mortes não foram o resultado da política deliberada dos alemães, já outros grupos , denominados pelos judeus de Negadores de holocausto alegam que o Holocausto definitivamente nunca existiu. Ambas as teses são normalmente acompanhadas de números que entram em choque com os números amplamentes aceitos.

É comum que as duas idéias sejam associadas imediatamente ao racismo, ao nazismo e ao neo-nazismo. Muitos que acreditam na versão histórica afirmam categoricamente que o revisionismo é uma forma de anti-semitismo e equivalente a negação do "Holocausto.

Muitos revisionistas afirmam não serem anti-semitas, e que querem meramente "contar a história como deve ser". Estas pessoas dizem que estão contentes por menos pessoas terem sido mortas do que previamente julgado e que desejam que outras pessoas interpretem os dados revisionistas como boas notícias. Porém, muitas vezes é possível identificar a divulgação de informações anti-semitas nos mesmos meios ou pelas mesmas pessoas que divulgam essas idéias.

Ambas as teorias possuem poucos defensores e são evitadas pelos historiadores dessa área porque o simples fato de "não acreditar na história do Holocausto judeu" constitui crime grave em alguns países, sujeitando-se o pésquisador as penas previstas na legislação de seus paises, portanto, em alguns países, como a França, Alemanha, Áustria, Suíça e Israel, o revisionismo é crime. Em outros, como Canadá , Austrália e Brasil são passíveis de outras sanções.

Nesse ultimo, o Brasil, o revisionismo é associado ao anti-semitismo e este foi considerado uma forma de racismo, crime hediondo, que segundo o parecer jurídico do Supremo Tribunal Federal sujeitando o infrator a pena máxima.

[editar]
Teologia do Holocausto

À vista da magnitude do que assistimos dos horrores das guerras, muitas pessoas reexaminaram as visões da teologia clássica sobre a bondade de Deus e acções no mundo. Como é possível as pessoas continuarem a ter fé com e depois do Holocausto? Para as respostas teológicas às questões levantadas pelo Holocausto ver Teologia do Holocausto.

[editar]
Ramificações políticas

O Holocausto teve várias ramificações políticas e sociais que se estendem até ao presente. A necessidade de encontrar um território para muitos refugiados judeus levou a uma grande imigração para o Mandato Britânico da Palestina, que na sua maior parte se tornou naquilo que é hoje o moderno Estado de Israel. Esta imigração teve um efeito directo nos Árabes da região, algo que é discutido nos artigos sobre o Conflito Israelo-Árabe, o Conflito Israelo-Palestiniano e nos outros artigos ligados a estes.

Holocausto “nunca mais”
ESCRITO POR GRUPO SÃO PAULO
05-AGO-2010

Com o tema "A Prevenção Global do Genocídio: Aprendendo com o Holocausto", um dos acontecimentos mais trágicos que chocou o mundo no século XX foi alvo de debates, nesse último mês de junho, no Seminário Global de Salzburgo, Áustria. Segundo o ex-secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi A. Annan, o que se espera desse encontro é produzir um programa anual sobre o nazismo para servir de apoio aos professores do 2º grau de todo o planeta.

No artigo "O mito do ‘nunca mais’ em relação a genocídios", Annan reiterou a importância histórica de um tema como esse fazer parte do currículo programático das escolas. Para o atual presidente honorário do comitê do Programa de Prevenção do Genocídio e Educação sobre o seminário de Salzburgo, é fundamental que, a partir desse aprendizado escolar, os estudantes incorporem para si valores universais como os direitos humanos, a tolerância, além de rejeitarem o racismo e qualquer tipo de preconceito estigmatizante.

No entanto, enfatiza Annan, "é surpreendentemente difícil encontrar programas educacionais que tenham apresentado sucesso indubitável em vincular a história do Holocausto à prevenção de conflitos étnicos e genocídios no mundo de hoje". Nesse contexto, reitera o ex-secretário, "não há dúvida de que é chegado o momento de levantar algumas questões difíceis a respeito da educação ‘tradicional’ sobre o Holocausto. Será que programas focados no sistema e na ideologia nazistas, e particularmente na experiência horrenda dos seus milhões de vítimas, se constituem em uma resposta efetiva, ou profilática contra, aos desafios que enfrentamos atualmente?".

Ampliando a pergunta realizada por Annan: qual será o significado do aprendizado sobre o Holocausto na vida particular dos alunos? Se formos pensar o que foi na prática o nazismo, tratou-se de levar às últimas conseqüências a institucionalização da já histórica, inclusive nas escolas norte-americanas no início do século XX, separação dos seres humanos em "iguais" e "diferentes", entre muitas outras dicotomias excludentes. Uma suposta anormalidade começou a ser vista como perigosa, capaz de contaminar os "puros" e "perfeitos", sendo necessário, portanto, implantar um processo radical de extermínio.

Não por acaso, além das câmaras de gás para os judeus, Hitler defendeu abertamente a eugenia para as chamadas hoje pessoas com deficiência, além de perseguir violentamente os ciganos e homossexuais. Talvez também não tenha sido coincidência que, logo após o término oficial do Nazismo, movimentos sociais de famílias passaram a lutar pela inclusão de seus filhos no sistema regular de ensino e pelo fim da estigmatização. Mas será que, mesmo com a inclusão, essa dicotomização já foi superada subjetivamente?

Independente da resposta, vale ressaltar que a experiência concreta da inclusão trouxe a possibilidade de aprendermos a lidar com o considerado, histórica e culturalmente, "diferente" do modo de vida dominante. Voltando então à problematização trazida por Annan em relação ao ensino tradicional sobre o Holocausto, podemos então generalizar o debate para uma crítica real em torno do que o pedagogo e pensador brasileiro, Paulo Freire, chamou de "educação bancária".

Pensando nas características do ensino tradicional, trata-se, segundo ele, de "encher" os educandos de conteúdos narrativos, de "retalhos da realidade desconectados da totalidade", o que significa na prática esvaziar a palavra de sua concretude, alienando o receptor da mensagem da realidade que o cerca, além de configurar um indivíduo extremamente egocêntrico, no qual a existência do Outro não faz mais diferença.

A simples narração de conteúdos históricos, já nos mostrou Freire, tende a petrificar o conhecimento e, nessa forma de educar, o educando tende a se tornar um ser paciente. Não há mais a práxis e muito menos a criatividade transformadora. Quanto ao ensino do Holocausto, é possível dizer que ele esteja recheado de "fatalismo", porém desligado da realidade cultural e singular do aluno, o mesmo ocorrendo com os conteúdos em geral apresentados no dia a dia alienante das escolas tradicionais.

Buscando inspiração na inclusão da pessoa com deficiência, estamos diante de uma oportunidade, quem sabe inédita, para pensarmos em uma educação mais democrática, em que a singularidade do aluno passe a ser levada em consideração, em que a percepção de seus dilemas concretos possa fazer pontes com realidades históricas aparentemente distantes de suas vidas. Caso as escolas não partam para experiências concretas de que somos iguais como seres humanos e diferentes em nossas singularidades, dificilmente conseguiremos impedir que novos "holocaustos", desde os mais imperceptíveis até os grandes genocídios, voltem a nos assustar.

Guga Dorea, Andrea Paes Alberico, Elisa Helena Rocha de Carvalho, João Xerri, o.p., José Juliano de Carvalho Filho e Thomaz Ferreira Jensen, do Grupo de São Paulo - um grupo de pessoas que se revezam na redação e revisão coletiva dos artigos de análise de Contexto Internacional do Boletim Rede, editado pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis, RJ.

Em várias cidades alemãs continuam sendo colocadas as "pedras de tropeço", uma iniciativa do artista alemão Gunter Demnig. Ao todo, já há mais de 13,5 mil marcos em quatro países, lembrando as vítimas do Holocausto.

"Aqui morou" – um ser humano, um nome, uma data de nascimento. E o seu destino: a data da sua deportação, geralmente para um campo de concentração. Na placa de latão pregada numa pedra de concreto de 10x10cm não há espaço para mais. E mais não é necessário. Porque é precisamente esta a intenção do projeto de Gunter Demnig: "As pedras são colocadas diante dos últimos locais onde as vítimas do Holocausto residiram por vontade própria".
Quem passa por elas não tropeça literalmente, como o nome faz pensar, mas se depara "com a memória e o coração", diz o artista plástico Gunter Demnig, o iniciador das pedras de tropeço, as Stolpersteine.

Estampar o nome é reviver a memória


Gunter Demnig em sua oficina
Em 1993, Demnig teve a idéia de homenagear as mil pessoas das etnias dos sintos e rom que haviam sido deportadas a partir de Colônia em apenas um dia. Com o tempo, o artista fixou placas em metal com a inscrição "1940: 1000 Rom e Sintos”, em vários pontos, marcando o caminho das casas das vítimas até o bairro de Deutz, em Colônia.
Uma senhora que passou por ele uma vez disse-lhe que naquela parte da cidade nunca haviam vivido sintos ou rom. Aí ficou claro para Demnig: tanto as pessoas dessas etnias como judeus, vítimas da perseguição nazista, haviam se integrado de tal forma na sociedade local que a vizinhança não se apercebera das suas origens.
Até Hitler subir ao poder na Alemanha, em 1933, a etnia de uns e as crenças de outros não haviam importado. E aí ficou claro para Demnig: Auschwitz e os outros campos de concentração eram o destino das vítimas. Mas o início desse fim estava ali, aos olhos de todos, às suas portas, nas suas casas.
“É no caminho diário de quem por aqui passa que se deve trazer à memória a tragédia que se viveu entre 1933 e 1945.” Porque as calçadas das ruas ninguém pode contornar. E lá estão elas, em tantas ruas, à frente de casas, ou lá onde antes havia casas, as pedrinhas de cor dourada, incorporadas no solo, marcam “aqui morou” alguém.

Curvar-se diante das vítimas

Demnig enfrenta ainda hoje alguns obstáculos para dar continuidade à colocação das suas pedras nas calçadas. A presidente da comunidade judaica de Munique, por exemplo, vê as esculturas como atração para neonazistas e motivo para abusos perante as vítimas. Para Demnig “são argumentos falsos e injustos” – já que, para ver a pedra e ler o que lá está escrito, “é preciso curvar-se perante cada nome”.
A idéia em que as “pedras de tropeço” se assentam é precisamente a de polir a memória ao se passar por cima delas: enquanto aquelas que estão em locais mais isolados oxidam, as que se encontram em ruas movimentadas brilham e o seu texto mantém-se legível.

Começar por algum lado…

Não é possível atribuir um número total exato à quantidade de vítimas do nazismo. A estimativa é de que tenha rondado os seis milhões. “Seis milhões de pedras você não vai conseguir colocar. Mas pode começar!”, foi o incentivo que Gunter Demnig recebeu de um padre no início do seu projeto. E Demnig pôs mãos à obra – literalmente.
As primeiras pedras foram colocadas em Berlim, ainda que ilegalmente. Só mais tarde viria a luz verde para avançar. Depois foi a vez de Colônia e, desde 2000, o projeto flui. As pedras de tropeço custam 95 euros e são financiadas por doações e apadrinhamentos, normalmente por escolas ou associações. Hoje, elas podem ser vistas em cerca de 300 localidades na Alemanha, 11 na Áustria, 13 na Hungria e, desde o final de novembro, na Holanda, o primeiro país a oeste da Alemanha a participar do projeto.

Marta Barroso
O significado do Holocausto



Dia em memória ao Holocausto no Parlamento alemão
A língua alemã não dispõe de uma palavra específica para designar o massacre aos milhões de judeus pelos nazistas. Portanto, utiliza-se o termo Holocausto, o que gera certas controvérsias.

A palavra Holocausto é utilizada desde a década de 1980 para designar o extermínio em massa de cerca de seis milhões de judeus pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. O termo tem sua origem na palavra greco-latina holocaustum e significa "totalmente queimado" ou "vítima de um incêndio".

Esta palavra era originalmente aplicada para designar um sacrifício que agrada a Deus, no qual a vítima era queimada. O emprego do termo da linguagem sacra para designar o crime nazista, portanto, foi bastante controverso.

Em Israel, até hoje é utilizado o termo secular hebraico Shoah, que significa "destruição" ou "catástrofe", já tendo sido mencionado na Declaração de Independência do Estado de Israel, de maio de 1948. O dia em memória do Shoah já é celebrado desde 1951, principalmente no memorial de Yad Vashem. Como a data cai no dia 27 do mês de nisan no calendário judaico, a celebração ocorre entre abril e maio do calendário cristão. A data foi escolhido por conta da revolta no Gueto de Varsóvia.

Na língua alemã não existe um termo fixo para se referir ao massacre dos judeus. Desde os processos criminais de Frankfurt na década de 1960, "Auschwitz" tornou-se sinônimo para o assassinato em massa dos judeus ordenado pelo regime nazista. Já o termo Holocausto chegou à Alemanha através do inglês americano e acabou se impondo graças a um seriado de televisão de mesmo nome, transmitido em 1979.

Entretanto, a primeira aplicação do termo para designar o aniquilamento em massa dos judeus foi utilizado no Reino Unido, na década de 1940. Em 1942, a Câmara dos Lordes comentava que possivelmente apenas algumas centenas de judeus conseguiriam escapar desse "holocausto".

Diferentes contextualizações

A palavra também foi utilizada em outro contexto, entretanto. Soldados norte-americanos falavam também em holocausto ao se referir ao lançamento das duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, com a completa redução de seus centros a cinzas, em 1945. Mais tarde, já nos anos 80, o movimento pacifista alertava o mundo para um possível holocausto atômico.


Simpatizante do partido de extrema direita NPD
Já em 2005, políticos do partido de extrema direita NPD (Partido Nacional Democrático da Alemanha) criaram uma polêmica mundial ao denominar os ataques de bombas dos aliados a Dresden, em 1945, de "holocausto das bombas". Desta forma, colocaram os cidadãos alemães vítimas do ataque no mesmo patamar dos judeus exterminados pelos nazistas.

Apesar de toda crítica à palavra, no dia 27 de janeiro é celebrada a Memória do Holocausto. A data foi escolhida por conta da libertação do maior campo de concentração nazista – Auschwitz – por tropas russas, em 1945. Desde 1996, alemães lembram nessa data o genocídio de milhões de pessoas durante as décadas de 1930 e 40.

Em novembro de 2005, durante a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), foi votada uma resolução que determinava o dia 27 de janeiro em todo o mundo como dia em memória do extermínio de milhões de pessoas – o Holocausto.

VÍTIMAS DO HOLOCÁUSTO NAZISTA
Vítimas

[editar] Judeus



Prisioneiros famintos no campo Mauthausen, em Ebensee, Áustria, libertados pela forças estadunidenses em 5 de maio de 1945.
O anti-semitismo era comum na Europa da década de 1920 e década de 1930 (apesar de se estender ao longo de séculos). O anti-semitismo fanático de Adolf Hitler ficou bem patente no seu livro publicado em 1925, Mein Kampf, largamente ignorado quando foi publicado, mas que se tornou popular na Alemanha uma vez que Hitler ascendeu ao poder.
Em 1 de Abril de 1933, os nazis, recém-eleitos, organizaram, sob a direcção de Julius Streicher, um dia de boicote a todas as lojas e negócios pertencentes a judeus na Alemanha.
Essa política ajudou a criar um ambiente de repetidos atos anti-semitas que iriam culminar no Holocausto. As últimas empresas pertencentes a judeus foram fechadas a 6 de Julho de 1939.
Em muitas cidades da Europa, os judeus tinham vivido concentrados em zonas determinadas. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os nazis formalizaram as fronteiras dessas áreas e restringiram os movimentos criando novos guetos, aos quais os judeus ficavam confinados.


Campo de concentração de Buchenwald. Dia da libertação em 16 de Abril de 1945. No segundo andar do beliche, o sétimo a contar da esquerda é Elie Wiesel, o Prêmio Nobel da Paz de 1986.
Os guetos eram, com efeito, prisões nas quais muitos judeus morreram de fome e de doenças; outros foram executados pelos nazis e seus colaboradores. Os Campos de concentração para judeus existiram na própria Alemanha. Durante a invasão da União Soviética, mais de três mil unidades especiais de morte (Einsatzgruppen) seguiram a Wehrmacht e conduziram matanças maciças de oficiais comunistas e de população judaica que vivia no território soviético. Comunidades inteiras foram dizimadas, sendo rodeadas, roubadas de suas possessões e roupa, e alvejadas de morte nas bermas de valas comuns.
Em Dezembro de 1941, Hitler tinha finalmente decidido exterminar os judeus da Europa. Em Janeiro de 1942, durante a Conferência de Wannsee, vários líderes Nazis discutiram os detalhes da Solução final da questão judaica (Endlösung der Judenfrage).
O Dr. Josef Buhler pressionou Reinhard Heydrich a dar início à Solução Final no Governo Geral. Eles começaram a deportar sistematicamente populações de judeus desde os guetos e de todos os territórios ocupados para os sete campos designados como Vernichtungslager, ou campo de extermínio: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Maly Trostenets, Sobibor e Treblinka II.
[editar] Eslavos



Estado deplorável de sobreviventes eslavos do campo de concentração Buchenwald.
Os polacos foram um dos primeiros alvos do extermínio de Hitler, como ficou sublinhado no seu discurso sobre a quota arménia, que fez a comandantes da Wehrmacht antes da invasão da Polónia em 1939.
A elite intelectual e socialmente proeminente ou pessoas poderosas foram os primeiros alvos, apesar de também ter havido assassínios em massa e instâncias de genocídio (donde se destaca Ustaše, na Croácia).


Civis polôneses após execução, em Varsóvia.
Durante a Operação Barbarossa, a invasão alemã da União Soviética, centenas de milhares (senão mesmo milhões) de prisioneiros de guerra pertencentes ao exército russo foram arbitrariamente executados nos campos pelos exércitos invasores alemães (em particular pelas famosas Waffen SS), ou foram enviados para campos de extermínio simplesmente porque eram de extração eslava. Milhares de vilas de lavradores russos foram aniquiladas pelas tropas alemãs mais ou menos pela mesma razão.
No entanto, sabe-se que inúmeros ucranianos combateram tenazmente a favor dos nazis quando da invasão à URSS, considerando o duro martírio por eles sofrido, viam os nazistas como libertadores.
[editar] Ciganos

Ver artigo principal: Porajmos
A campanha de genocídio de Hitler contra os povos ciganos da Europa era vista por muitos como uma aplicação particularmente bizarra da ciência racial nazi.
Antropólogos alemães foram forçados a enfrentar o facto de os ciganos serem descendentes dos invasores arianos, que regressaram à Europa. Ironicamente, isto torna-os não menos arianos que os próprios alemães, pelo menos na prática, senão em teoria. Este dilema foi solucionado pelo professor Hans Gunther, um conhecido cientista racial, que escreveu:
«Os ciganos retiveram na verdade alguns elementos da sua origem nórdica, mas eles descendem das classes mais baixas da população dessa região. No decurso da sua migração, eles absorveram o sangue dos povos circundantes, tornando-se assim uma mistura racial oriental, asiática-ocidental com uma adição de ascendência indiana, centro-asiática e europeia.»
Como resultado, apesar de medidas discriminatórias, alguns grupos de ciganos de etnia Roma, incluindo as tribos alemãs dos Sinti e Lalleri, foram dispensados da deportação e morte. Os ciganos restantes sofreram muito como os judeus (em alguns momentos foram ainda mais degradados). No Leste europeu, os ciganos foram deportados para os guetos judeus, abatidos pela SS Einsatzgruppen nas suas vilas, e deportados e gaseados em Auschwitz e Treblinka.
[editar] Homossexuais

Ver artigo principal: Homossexuais na Alemanha Nazi


Ernst Röhm, oficial nazista que era homossexual assumido.[2]
Homossexuais foram um outro grupo alvo durante o tempo do Holocausto. Ao que parece, não houve por parte do partido nazi uma tentativa sistemática de exterminar todos os homossexuais, mas sim de promover uma espécie de recuperação social e moral por meio da penalização a trabalhos forçados e extenuantes; assim, o regime nazista recrudesceu o parágrafo 175 que criminalizava a homossexualidade, endurecendo suas penas.
No início da ascensão nazista, alguns membros proeminentes da liderança do partido Nazi (como Edmund Heines, Ernst Röhm, entre outros) eram conhecidos por serem homossexuais, o que poderia explicar o facto de a liderança nazi ter, de início, mostrado sinais contraditórios sobre a forma de lidar com o tema. Alguns líderes queriam claramente o extermínio dos homossexuais; outros, como o próprio Rönm, advogavam liberdade aos homossexuais, enquanto que a maior parte defendia a aplicação de leis rígidas que proibissem atos homossexuais. Porém, não tardou para que o regime nazi promovesse uma tentativa de extirpação da homossexualidade em seus quadros e também da sociedade alemã. Heinrich Himmler - que tinha inicialmente apoiado Röhm com o argumento que as acusações de homossexualidade contra ele eram maquinações judias - tornou-se posteriormente muito ativo na repressão aos homossexuais e declarou: "Temos que exterminar esta gente pela raiz… os homossexuais têm que ser eliminados"[Plant, 1986, p. 99].
Na noite de 29 de Junho de 1934, Hitler promoveu a Noite das Facas Longas, participando pessoalmente na prisão de Ernst Röhm, o líder das SA ("camisas pardas") que posteriormente seria assassinado conjuntamente com dezenas de outros oficiais. A homossexualidade de Röhm e dos seus oficiais foi utilizada por Hitler para aplacar a fúria que se apoderou das fileiras da SA.
Pouco depois da purga de 1934, uma divisão especial da Gestapo foi instruída para compilar uma lista de homens gay (as "Listas Rosa"). Em 1936, Heinrich Himmler, chefe das SS, criou o "Gabinete Central do Reich para o Combate à Homossexualidade e ao Aborto. A esta purga seguir-se-ia o endurecimento da perseguição contra a homossexualidade e a prisão de homossexuais por toda a Alemanha e até mesmo fora dela. Muitos milhares de prisioneiros acabaram em campos de concentração; outros, como John Henry Mackay, suicidaram-se. Muitos artistas emigraram, como o caso da escritora e dramaturga Erika Mann.
Segundo o United States Holocaust Memorial Museum, mais de um milhão de homossexuais alemães foram identificados, dos quais cerca de 100 000 foram acusados e 50 000 condenados a penas de prisão por homossexualidade. A maior parte destes homens foi aprisionado e entre 5000 a 15 000 enviados para campos de concentração. Soma-se a isso o fato de centenas de homens homossexuais que viveram sob ocupação nazi terem sido castrados por ordem dos tribunais.


O Homomonument em Amsterdã, Países Baixos, feito em homenagem aos homossexuais mortos pela Alemanha nazista.
Inicialmente os homossexuais não tiveram o mesmo tratamento que os Judeus; a Alemanha Nazi incluía os homossexuais alemães como parte da raça ariana pura e tentou forçá-los à conformidade sexual e social. Os homens homossexuais que não conseguissem ou não quisessem fingir uma mudança de orientação sexual eram enviados para campos de concentração ao abrigo da campanha de Arbeit macht Frei ("Libertação pelo Trabalho)." Segundo pesquisas (como a feita pelo investigador Ruediger Lautmane) e relatos de sobreviventes, nota-se que a taxa de mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração era superior à media geral, podendo ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses "campos da morte" para além de serem tratados de forma extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos e até mesmo violentados pelos outros prisioneiros, diferenciando-se dos judeus que contavam com a solidariedade de seu próprio grupo. Por essa razão os homossexuais nos campos de concentração eram entendidos, como alguns estudiosos afirmam, como "os sacrificáveis".
O sobrevivente Pierre Seel, preso no campo de concentração por ser homossexual, relatou em sua biografia que "não havia solidariedade para com os prisioneiros homossexuais; pertenciam à casta mais baixa. Outros prisioneiros, mesmo entre eles, costumavam agredi-los." Relata também cenas frequentes de tortura (como espancamento e ataque de cães) seguidas de brutais assassinatos. Dentre estas práticas estava a violação ou empalamento de prisioneiros homossexuais com réguas de madeira partidas, causando perfuração intestinal, graves hemorragias e eventualmente morte.
Diferentemente de Seel, a maior parte dos homossexuais perseguidos pelo regime nazi nunca se identificou publicamente como homossexuais. De fato, as leias "anti-homossexualidade" mantiveram-se depois da guerra por todo o mundo ocidental até às décadas de 1960 e 1980, de tal forma que muitos nunca se sentiram confortáveis para contar as suas histórias de sofrimento à mão dos Nazis até à década de 1970, quando a generalidade dos países ocidentais iniciou uma supressão das leis relacionadas com a sodomia.
Por fim, estimativas quanto ao número de pessoas mortas pela razão específica de serem homossexuais variam muito. A maioria das estimativas situa-se por volta de dez a quinze mil.
Números mais elevados incluem também aqueles que eram judeus e homossexuais, ou mesmo judeus, homossexuais e comunistas. Para além disso, registros sobre as razões específicas para o internamento são inexistentes em muitas áreas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário